Mulheres com títulos universitários ou de pós-graduação estão menos propensas a casar e mais inclinadas a permanecer solteiras e sem filhos. A conclusão é de um estudo da Universidade de Chicago realizado em países de alta renda, incluindo Itália, Estados Unidos, França e Alemanha.
Segundo artigo no Al Femminile, do La Repubblica, a pesquisa utilizou dados acumulados em um período de até 30 anos. Os pesquisadores acompanharam mulheres de 25 a 44 anos para entender como a educação superior redefine o conceito de relação estável nas sociedades contemporâneas.
O levantamento indica que a tendência não está ligada à falta de desejo de constituir família. O fator determinante é a redefinição de critérios. A educação superior garantiu autonomia econômica e maiores expectativas em relação à qualidade das parcerias.
Mudança de expectativas
Os resultados apontam que mulheres instruídas não rejeitam o afeto, mas recusam relações baseadas em papéis tradicionais de gênero. Segundo o estudo, muitas superam os homens em renda, mas encontram parceiros que ainda não compartilham responsabilidades domésticas.
Para muitas mulheres, permanecer solteira é uma escolha racional diante de modelos relacionais que as penalizam profissionalmente e pessoalmente. A decisão reflete a busca por parcerias com divisão equitativa de tarefas.
A ausência de políticas públicas, como creches e licenças paritárias, também contribui para o cenário. O papel de mãe em tempo integral é visto como incompatível com as ambições de mulheres que buscam equilíbrio entre vida pessoal e carreira.
Inteligência e natalidade
Dados complementares da London School of Economics indicam que, conforme o quociente intelectual (QI) aumenta, diminui a probabilidade de ter filhos. O fenômeno é observado especialmente entre o público feminino em países industrializados.
Nessas regiões, o custo de oportunidade de interromper a carreira é um fator decisivo. O maior acesso a métodos contraceptivos e a informação permite que mulheres com alta instrução façam escolhas mais conscientes sobre o futuro familiar.
A “nova” solteira
O estudo mostra que a educação não diminui o amor, mas aumenta a exigência. Mulheres autônomas preferem a própria companhia a relacionamentos que as penalizam profissionalmente ou sobrecarregam no lar.
































































