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Cidadania em Roma

“Violação constitucional”: Pasquale Metafora condena centralização da cidadania italiana em Roma

“Já tentaram centralizar uma vez as transcrições em Roma e isso não deu muito certo”, diz Pasquale Matafora

Pasquale Matafora critica nova lei que centraliza processos de cidadania italiana em Roma
Pasquale Matafora critica nova lei que centraliza processos de cidadania italiana em Roma | Foto: Metropoles

O servidor público aposentado Pasquale Matafora manifestou oposição à nova legislação que centraliza os processos de cidadania italiana em Roma. A medida foi aprovada na última semana pelo parlamento da Itália.

Matafora serviu por mais de 30 anos na Embaixada da Itália em Brasília e conhece detalhadamente a estrutura administrativa do órgão.

Radicado no Brasil desde a década de 1980, ele ingressou no serviço público italiano por concurso e é reconhecido como profundo conhecedor tambem da realidade da comunidade no país.

Para Matafora, as deficiências das sedes consulares não justificam a mudança. “Incapacidade administrativa dos consulados em nenhuma hipótese pode ser álibi para limitar um direito fundamental. Seria como dizer: não tenho sapato, portanto vou cortar os pés”, afirmou.

O especialista ressaltou que as taxas consulares geram recursos suficientes para o setor. Segundo ele, o Comitê dos Italianos no Exterior (Comites) e o Conselho Geral dos Italianos no Exterior (CGIE) cobram transparência financeira da Direção Geral para os Italianos no Exterior (DGIT), sem obter retorno.

Matafora classificou a centralização como uma violação constitucional na prática. “A violação constitucional na prática é mais que evidente; os processos dos residentes no exterior, na prática, serão tratados ao bel-prazer do escritório central”, alertou.

Matafora classifica a mudança como uma "violação constitucional na prática" e um desestímulo proposital ao acesso a direitos fundamentais.
Matafora classifica a mudança como uma “violação constitucional na prática” e um desestímulo proposital ao acesso a direitos fundamentais.

Ele demonstrou preocupação com o tratamento que será dado aos residentes no exterior pelo escritório central na capital italiana.

“O acúmulo de processos em papel será o retrato de mais uma vergonhosa discriminação”, declarou o ex-servidor. Ele relembrou que, em período anterior, a transcrição do nascimento de seu filho pelo Comune di Roma levou quase 18 anos. “Já tentaram centralizar uma vez as transcrições em Roma e isso não deu muito certo”, disse.

A percepção de Matafora é que a medida possui o propósito de desestimular o acesso ao direito. Ele aponta que o aumento da diáspora italiana poderia entrar em conflito com outros poderes e influências internacionais.

O ex-servidor criticou ainda a narrativa atual sobre o tema. “A opinião pública é manipulada sistematicamente com as notícias de cidadanias fraudulentas e induzida a pensar que quem trabalha com cidadania são gangues de criminosos”, disse.

Matafora concluiu afirmando que essa estratégia distancia a sociedade da verdade sobre o processo. Ele encerrou sua análise com a expressão em latim “mala tempore currunt”, indicando que tempos ruins estão por vir.

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