O cenário é geograficamente distante, mas os detalhes são um eco aterrorizante do que o Brasil viveu em 2013. Na madrugada deste 1º de janeiro, a estação de esqui de luxo de Crans-Montana, na Suíça, tornou-se palco de uma tragédia que guarda semelhanças drásticas com o incêndio da Boate Kiss. Um incêndio no lounge bar Le Constellation deixou ao menos 40 mortos e 100 feridos graves, a maioria jovens entre 18 e 30 anos.
O governo da Itália entrou em estado de alerta máximo. Com cerca de 30 cidadãos italianos dados como desaparecidos na região, o vice-primeiro-ministro Antonio Tajani confirmou que o reconhecimento das vítimas é dificultado pela gravidade das queimaduras. “Há muitos sobrenomes italianos entre os feridos graves. Estamos em contato constante com as autoridades suíças”, afirmou Tajani.
As semelhanças fatais
Assim como na tragédia de Santa Maria (RS), o desastre em Crans-Montana foi uma combinação de negligência e falhas estruturais:
- Pirotecnia em local fechado: Testemunhas relatam que o fogo começou quando um garçom, sobre os ombros de outro, ergueu uma vela pirotécnica de aniversário. O artefato atingiu o revestimento do teto, iniciando o fogo instantaneamente.
- Revestimento inflamável: O local, decorado com abundância de madeira e materiais de isolamento, foi consumido em poucos minutos, gerando uma fumaça tóxica e letal.
- Saída única e obstruída: Relatos indicam que o bar, que funcionava em um subsolo, possuía apenas uma rota de fuga estreita. “A porta era pequena demais para o número de pessoas. Foi uma armadilha”, descreveu uma sobrevivente francesa.
Mobilização Internacional
O embaixador italiano na Suíça, Gian Lorenzo Cornado, relatou o desespero de pais italianos que estão nos hospitais de Sion e Lausanne em busca de notícias. A estrutura do prédio ainda está instável, impedindo que os socorristas acessem áreas onde podem estar mais corpos.
Em Roma, o presidente Sergio Mattarella e a primeira-ministra Giorgia Meloni manifestaram profundo pesar. A tragédia ocorre justamente em um momento de celebração do Capodanno (Ano Novo), o que amplia o choque na comunidade europeia.
O bar Le Constellation, fundado em 2015, já acumulava críticas em plataformas online por falta de profissionalismo e questões de segurança, mas seguia operando como um dos pontos mais badalados do pós-esqui suíço.
































































