Siga o Italianismo

Olá, o que deseja procurar?

Italianismo – Notícias sobre a ItáliaItalianismo – Notícias sobre a Itália

Cidadania

Nova lei não freia cidadania italiana: só no Vêneto, 10 mil ações em 7 meses

Restrição do governo é ineficaz: nova lei italiana não conteve os pedidos. Só no Vêneto, foram 10 mil entre março e setembro de 2025.

Antonio Tajani, vice-primeiro-ministro da Itália, durante apresentação do decreto que alterou as regras para reconhecimento da cidadania italiana por descendência, em 28 de março de 2025.
Antonio Tajani, vice-primeiro-ministro da Itália, durante apresentação do decreto que alterou as regras para reconhecimento da cidadania italiana por descendência, em 28 de março de 2025.

Mesmo após a entrada em vigor do decreto-lei Tajani, que limita o reconhecimento da cidadania italiana a filhos e netos de italianos, a demanda por parte de descendentes segue elevada. Segundo reportagem do Corriere del Veneto, publicada nesta segunda-feira (1º), entre março e setembro de 2025, o Tribunal de Veneza recebeu 10.660 novas ações de cidadania ius sanguinis.

O levantamento considera somente o período de vigência da nova legislação até o final de setembro, sem incluir os dados de outubro e novembro, que ainda não haviam sido contabilizados até a publicação do jornal. A matéria aponta que o ritmo de entrada de pedidos permanece alto, mesmo com a nova restrição legal em vigor há mais de seis meses.

Conforme o jornal, vinculado ao Corriere della Sera, o total de processos parados no tribunal chegou a 31.456 ao final de setembro. Cada ação costuma envolver grupos familiares, levando à estimativa de mais de 320 mil pessoas interessadas no reconhecimento.

“O dado é suficiente para explicar como as milhares de solicitações estão colocando à prova o funcionamento da máquina judiciária”, observa o Corriere. Em Veneza, sete de cada dez processos cíveis estão relacionados ao reconhecimento da cidadania italiana por descendência.

“Carga sobre o Judiciário”

A reportagem destaca a sobrecarga enfrentada pelo tribunal veneziano em comparação com outras grandes cidades do país. “No mesmo período, Milão somava 2.200 processos pendentes; Nápoles, 2.300; Roma, 1.600. Já Veneza, mais de 30 mil”, afirmou ao jornal o ex-presidente do tribunal local, Salvatore Laganà.

Para enfrentar os atrasos e cumprir metas do Plano Nacional de Recuperação e Resiliência (Pnrr), uma força-tarefa foi criada com 22 juízes auxiliares, que atuam presencialmente e remotamente, em apoio aos 15 magistrados fixos da seção de imigração.

Captura de tela do site do Corriere del Veneto com a manchete: “Cidadania para oriundi, a restrição do governo é pouco eficaz: ‘Em sete meses, outras 10 mil solicitações no Vêneto’”, publicada nesta segunda-feira (1º).
Captura de tela do site do Corriere del Veneto com a manchete: “Cidadania para oriundi, a restrição do governo é pouco eficaz: ‘Em sete meses, outras 10 mil solicitações no Vêneto’”, publicada nesta segunda-feira (1º).

“Medidas não frearam a demanda”

Apesar da criação da força-tarefa e da cobrança de uma taxa de 600 euros por requerente, introduzida pelo governo em 2024, o número de novas ações segue elevado.

“O Tribunal, com o reforço de magistrados, conseguiu enviar mais pedidos aos municípios, mas os cartórios continuam sobrecarregados”, pontua o Corriere. Os funcionários precisam, além do trabalho cotidiano, reconstruir árvores genealógicas e localizar registros centenários de nascimento e casamento.

“Prefeituras ameaçadas”

Segundo o jornal, os atrasos nos municípios já resultaram em sanções judiciais. Em Castagnaro, cidade de 3.500 habitantes na província de Verona, o Tribunal determinou multa diária de 100 euros por atraso em três processos. A decisão é resultado de uma sentença anterior do Tribunal de Roma, de dezembro de 2023, que reconheceu a cidadania a descendentes de um emigrante local.

O prefeito de Val di Zoldo, Camillo De Pellegrin, disse ao jornal: “Se essa tendência continuar, tanto vale que o governo comissione os cartórios”. Prefeitos temem que sentenças como a de Castagnaro criem jurisprudência e provoquem um efeito em cadeia nos pequenos municípios.

Corte Constitucional analisará a lei

O Corriere del Veneto também informou que a Corte Constitucional deve julgar a legitimidade do decreto-lei Tajani até a primavera de 2026 (leia aqui: a audiência foi marcada para o dia 10 de março de 2026). A decisão poderá redefinir os limites do reconhecimento da cidadania italiana por via judicial, com impacto direto sobre milhões de descendentes em todo o mundo.

Enquanto isso, os ítalo-descendentes, principalmente do Brasil e da Argentina, continuam a buscar na Justiça italiana o passaporte que consideram um símbolo de pertencimento e porta de entrada para a Europa.

2 Comentários

1 Comentário

  1. MARCO AURELIO TONIOLO

    2 de dezembro de 2025 at 01:09

    Grazie a tutti e buon lavoro.

  2. LEONARDO PIRES

    2 de dezembro de 2025 at 22:27

    Tamanho empenho em barrar pessoas comprovadamente descendentes de italianos, porém, o mesmo empenho não se observa em tentar barrar imigrantes ilegais africanos e do oriente médio, que continuam a chegar aos milhares em Lampedusa.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Confira também:

Referendo 2026

Informe-se sobre o referendo constitucional na Itália. Eleitores no AIRE têm até 24 de janeiro para solicitar o voto presencial.

Cotidiano

Sem equipe do PNRR, Justiça italiana corre risco de colapso na cidadania, alerta Associação Nacional dos Magistrados da Itália.

Cidadania em Roma

"Já tentaram centralizar uma vez as transcrições em Roma e isso não deu muito certo", diz Pasquale Matafora

Ataque à imprensa

Após ser confrontado com os fatos, dirigente do MAIE atacou a integridade do Italianismo.