Por Luis Roberto Lorenzato
A Itália, um país que já brilhou como uma joia da história e da cultura, agora se encontra envolta em uma realidade alarmante.
Suas cidades, antes cheias de vida, estão se tornando sombras, com casas abandonadas sendo oferecidas nas redes sociais ao redor do mundo por apenas 1 euro.
Nem mesmo nas piores favelas do Brasil se encontram barracos por esse preço! Que vergonha!
A fuga de 100.000 jovens para o exterior entre 2022 e 2023, em busca de oportunidades e de um futuro melhor, tornou-se uma triste rotina. Muitos deles emigram para a América do Sul, principalmente para o Brasil, exatamente como no final do século XIX…
Diante desse cenário desolador, surge uma pergunta inquietante:
Por que alguns setores do governo e do judiciário atacam os italianos que vivem no exterior?
Não haveria questões mais graves e urgentes a serem resolvidas?
A Itália, essa velha senhora que está morrendo, parece esquecer seus filhos que vivem além de suas fronteiras e prefere morrer sozinha? Ou ser cuidada por cuidadoras islâmicas?
Apenas para lembrar que esses filhos, que trazem 121 bilhões de euros ao país por meio do famoso e desejado turismo de retorno às raízes, são desprezados e negligenciados.
Se somos os verdadeiros embaixadores do “Made in Italy”, qual é o motivo de tanto desprezo? Vale tudo na política?
A resposta pode estar em uma necessidade política mais profunda, uma urgência de criar uma narrativa que justifique o injustificável.
A esquerda italiana, junto com um partido que se autodenomina de “centro”, o Forza Italia, diante do desafio de legalizar milhões de imigrantes ilegais para transformá-los em eleitores, tenta desesperadamente construir uma narrativa que lhe permita obter apoio eleitoral.
O que eles fazem?
Atacam os italianos ao redor do mundo, justamente aqueles que tentam manter vivas suas raízes e laços com a Itália por meio da cidadania. Em muitos casos, esses italianos são obrigados a pagar advogados caros para entrar com processos na Justiça ou a recorrer a agências para agilizar a cinematográfica burocracia italiana para obter seu reconhecimento! Um direito!
Esse grupo político está orquestrando uma campanha midiática que visa destruir as bases de um Estado de Direito, atacando o sagrado princípio do direito de nascimento italiano.
Essa estratégia inclui tentativas de alterar a lei do ius sanguinis sobre a cidadania para implementar o ius soli e o ius culturae, que concederiam a cidadania a quem nasce no território italiano ou a quem frequenta uma escola.
Sem conseguir avançar com essa proposta no Parlamento, criam histórias e falsidades para manipular a opinião pública e “influenciar” o sistema judiciário.
Os pedidos de reconhecimento da cidadania por parte de ítalo-brasileiros estão sendo usados como um pretexto para gerar confusão e tentar modificar a legislação não no Parlamento, mas na Corte de Cassação, alegando absurdamente a inconstitucionalidade do Artigo 1 da Lei de Cidadania Italiana.
A cidadania, que deveria ser transmitida de forma sagrada de pai ou mãe para filho, está sendo distorcida e desvirtuada.
Não há nada na lei dizendo que são os avós, bisavós ou trisavós que transmitem a cidadania; mas sim os pais!
Quando um ancestral italiano imigrante teve um filho no Brasil, esse filho automaticamente adquiriu a cidadania italiana ao nascer, tornando-se italiano de direito e de fato, em primeira pessoa.
A narrativa que tentam construir sugere que somos apenas bisnetos ou trinetos de italianos que partiram há muitos séculos. Isso não é verdade!
Essa é uma falácia profunda. Nossa relação familiar é um vínculo sólido, construído sobre história, afeto e sangue, uma linha contínua de italianos. Como afirmou o On. Mirko Tremaglia, não somos apenas descendentes distantes; somos parte integrante de uma história que tem suas raízes no coração de cada italiano.
Infelizmente, muitos juristas ativistas de esquerda, que lutam para legalizar imigrantes ilegais, agora publicam artigos tentando mudar toda a legislação, distorcendo a verdade e criando uma imagem negativa de nós.
Mas nós já nascemos italianos, tanto quanto aqueles que nos acusam.
Compartilhamos a mesma nacionalidade por direito de sangue, mas eles rejeitam nossa identidade.
Afirmar que somos “novos cidadãos” que adquirem a cidadania apenas por causa de um ancestral distante é juridicamente incorreto e injusto.
A lei é clara: “É italiano o filho de pai ou mãe italiana.” Ela não menciona netos, bisnetos ou trinetos nascidos dentro ou fora do território italiano.
Chegaram ao extremo de afirmar que estamos há sete ou oito gerações fora da Itália, que não falamos nossos dialetos ou o italiano, que nem sabemos onde fica o país — tudo isso com o único objetivo de diminuir nosso direito e nosso vínculo com a pátria. Que absurdo!
Mas nosso vínculo é forte, enraizado nos valores que nos foram transmitidos por nossos pais.
Como diz o velho ditado: “O sangue não é água!”
A Itália está em coma, e agora é a hora de despertar.
É tempo de reconhecer seus filhos, que, mesmo fisicamente distantes, carregam no coração a essência desta grande nação.
Seus sonhos, suas esperanças e seu amor pela pátria permanecem intactos, prontos para despertar uma Itália que não pode mais se dar ao luxo de esquecê-los.
É hora de voltar a ser uma nação viva, unida e orgulhosa de suas raízes, de seus filhos, de sua história e, acima de tudo, do seu futuro!
*Luis Roberto di San Martino Lorenzato di Ivrea é advogado, empresário e político ítalo-brasileiro. Foi deputado do Parlamento da República Italiana pelo partido de direita Liga.