A partir desta segunda-feira (5), Santa Catarina ganha um novo ponto de conexão direta com a Itália. O Consulado Geral em Curitiba inaugura o seu Sportello Consolare em Florianópolis, localizado no Corporate Park (SC-401). A abertura é um alívio logístico para milhares de descendentes, mas o status da nova unidade reacende um debate antigo sobre a autonomia diplomática catarinense.
Avanço logístico, barreira burocrática
A instalação do Sportello (escritório consular) em Florianópolis visa, na prática, acabar com a necessidade de viagens constantes ao Paraná. Ali, o cidadão poderá realizar serviços como a coleta de biometria para passaportes e a entrega de documentos.
No entanto, há uma diferença técnica crucial que separa a nova unidade de um Consulado de Carreira:
- Sportello Consolare: É uma extensão administrativa. Ele processa pedidos, mas a decisão final, a emissão de documentos e questões de cidadania continuam centralizadas em Curitiba.
- Consulado de Carreira: Possui autonomia plena, orçamento próprio e um cônsul de carreira enviado de Roma. É a estrutura que Santa Catarina, pelo seu peso migratório, reivindica há décadas.
A crítica: Um estado “tutelado”?
Apesar de Santa Catarina ser o segundo estado com o maior número de descendentes de italianos no Brasil, a diplomacia italiana mantém o estado sob a jurisdição do Paraná. Para lideranças da comunidade ítalo-catarinense, o novo escritório é visto como um “paliativo”.
A crítica central é que, enquanto estados com colônias menores ou equivalentes possuem sedes plenas, Santa Catarina segue “tutelada” por Curitiba. O volume de processos gerados em cidades como Criciúma, Nova Veneza e Blumenau justificaria, segundo especialistas, uma estrutura de carreira que pudesse dar vazão à demanda represada sem depender da capacidade operacional paranaense.
Segundo dados do Consulado Geral da Itália em Curitiba, até o final de 2023, 160.819 cidadãos italianos estavam cadastrados no Aire (Cadastro de Italianos Residentes no Exterior) nesses dois estados.
No Paraná, 88.931 ítalo-brasileiros estavam registrados, enquanto Santa Catarina somava 71.888.
























































