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Feriado da Epifania

A história da Befana: como Mussolini a tornou ícone na Itália

Entenda como a Befana evoluiu de deusa romana a bruxa e por que Mussolini a promoveu como símbolo patriótico na Itália.

Pessoas vestidas de La Befana participam de um desfile tradicional em Viterbo. Foto: Tiziana Fabi/AFP
Pessoas vestidas de La Befana participam de um desfile tradicional em Viterbo. Foto: Tiziana Fabi/AFP

Neste 6 de janeiro, a Itália celebra a Befana, uma figura central no feriado da Epifania. A tradição descreve uma bruxa corcunda que voa em uma vassoura para recompensar crianças com doces ou puni-las com “carvão” (açúcar preto), dependendo de seu comportamento no ano anterior.

Embora profundamente ligada à cultura católica, a origem da Befana remonta a rituais pagãos da Roma Antiga.

Segundo historiadores, a figura originou-se de divindades femininas como Diana, Satia e Abundia, que sobrevoavam campos cultivados para abençoar a fertilidade do solo.

Com a ascensão do cristianismo, essas deusas foram banidas e transformadas em bruxas de aparência assustadora. A Igreja buscou sobrepor as celebrações cristãs da Epifania aos rituais pré-cristãos de início de ano e primavera.

Séculos depois, a Befana encontrou um defensor inesperado em Benito Mussolini. O ditador fascista promoveu a bruxa como uma alternativa patriótica e totalmente italiana ao Papai Noel, que era visto pelo regime como um “estrangeiro” indesejado na cultura do país.

Em 1928, a Epifania foi estabelecida como feriado nacional e utilizada como ferramenta de propaganda.

Durante o regime fascista, a imagem da Befana foi atrelada a campanhas de bem-estar social, incentivando as famílias a doarem roupas e brinquedos para órfãos e pobres.

Essa popularidade sobreviveu à queda do fascismo e ao fim da Segunda Guerra Mundial, mantendo-se até hoje como um símbolo familiar querido pelos italianos, que marca o encerramento oficial das festividades de fim de ano.

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