Roma registrou o janeiro mais chuvoso desde 1782 e enfrenta chuvas quase diárias em fevereiro. O volume recorde de precipitação afeta as celebrações de carnaval e provoca danos em diversas regiões da Itália.
Segundo o meteorologista Lorenzo Tedici, “Janeiro de 2026 ficou entre os três janeiros mais chuvosos em Roma desde 1782”.
Em todo o país, o índice de chuva ficou 58 por cento acima da média no mês passado.
Carnaval sob chuva
O período de carnaval na capital italiana costuma reunir crianças fantasiadas nas praças e grande consumo de doces típicos. Neste ano, a chuva reduziu o movimento nas ruas.
No Antico Forno Roscioli, tradicional padaria de Roma, o gerente Paolo Martinucci afirmou que “As chuvas estão claramente prejudicando as festas e reduzindo as vendas”.
Prefeitos de cidades atingidas por temporais cancelaram ou adiaram eventos. As comemorações antecedem a Quaresma, período do calendário cristão que precede a Páscoa.
Impactos em todo o país
Desde o início do ano, tempestades provocam danos e transtornos em diferentes regiões italianas. Áreas costeiras sofreram com fortes chuvas em janeiro.
Na Sicília, a cidade de Niscemi ficou à beira de um penhasco após um grande deslizamento provocado pela tempestade Harry.
Segundo Tedici, as chuvas encerraram a seca em partes do sul, especialmente na Sicília e na Sardenha. No entanto, o período excepcionalmente chuvoso agora provoca problemas por excesso de água no centro e no sul do país.
Tempestades e mudanças climáticas
O pesquisador Davide Faranda, diretor de pesquisa do Laboratório de Ciências do Clima e do Meio Ambiente, em Paris, afirmou que a Itália está sob influência da tempestade Nils. O sistema já havia atingido França, Portugal e Espanha, com ventos e chuvas acima do normal.
De acordo com ele, as mudanças climáticas aumentam a intensidade de eventos de chuva forte na Europa ao aquecer a atmosfera e ampliar sua capacidade de reter umidade. A região do Mediterrâneo também aquece mais rápido que a média global, o que pode intensificar precipitações.
Faranda destacou que a posição geográfica da Itália entre o Mar Mediterrâneo e os Alpes, além do relevo complexo e das longas áreas costeiras, amplia a vulnerabilidade a tempestades e chuvas orográficas.
Tedici explicou que a persistência das chuvas se deve à corrente de jato polar, que está mais ao sul do que o habitual. Segundo ele, isso está “basicamente trazendo o clima inglês para a Itália”.
O Observatório de Recursos Hídricos Anbi alertou para a chegada do chamado “Ciclone de São Valentim”, prevista após a passagem da tempestade Nils.

























































