Siga o Italianismo

Olá, o que deseja procurar?

Euro Hoje R$ 5,88

Cidadania

‘Cidadania italiana revogada sem aviso prévio’: Advogado-Geral da UE contesta Decreto Tajani

Vincenzo Valentini contesta Decreto Tajani e alerta para violação de direitos.

Vincenzo Valentini contesta nova lei da cidadania italiana e aponta riscos constitucionais
Vincenzo Valentini contesta nova lei da cidadania italiana e aponta riscos constitucionais

O referendário da Corte de Justiça da União Europeia, espécie de Advogado-Geral, Vincenzo Valentini, foi enfático ao apontar os riscos do Decreto-Lei 36/25, conhecido como Decreto Tajani, que alterou as regras da cidadania italiana no ano passado.

Durante seminário realizado nesta sexta-feira (6), no Conselho Nacional Forense, em Roma, Valentini afirmou que a nova legislação pode contrariar normas do direito europeu e comprometer princípios constitucionais.

“Restringir a cidadania com o objetivo de manter um vínculo efetivo maior com o país pode até ser um objetivo legítimo. Mas isso precisa passar pelo crivo da proporcionalidade”, disse o jurista.

Segundo ele, embora os Estados-membros da União Europeia tenham competência para definir quem são seus cidadãos, essas decisões não podem ignorar seus efeitos no contexto europeu.

Publicidade / Bendita Cidadania
Bandeiras da União Europeia e da Itália
Cidadania italiana
Ainda dá para entrar com o processo?

A Suprema Corte reafirmou: a cidadania nasce com a pessoa.

  • Nova frente jurídica aberta
  • Processos ainda podem ser apresentados
  • Avaliação individual antes de qualquer decisão
QUERO SABER SE POSSO ENTRAR

“Não se trata de a União Europeia decidir quem é cidadão italiano. Trata-se de garantir que a legislação nacional, ao afetar um status europeu, respeite os princípios fundamentais da União”, explicou.

Críticas à retroatividade

Valentini afirmou que o ponto mais crítico do decreto está no corte temporal inflexível, que obriga os interessados a terem solicitado o reconhecimento da cidadania até as 23h59 do dia anterior à entrada em vigor da norma.

“Estamos diante de uma revogação tácita da cidadania já adquirida, e pior: sem conceder qualquer prazo razoável para que os afetados possam reagir”, afirmou.

E completou: “É como se o Estado dissesse: você nunca foi cidadão, mesmo tendo todos os documentos e requisitos exigidos até ontem”.

Ele também criticou a ausência de uma regra de transição: “É possível fazer uma reforma estrutural, inclusive com efeitos retroativos, mas o cidadão precisa ter um prazo proporcional e razoável para exercer sua opção de forma livre e consciente”.

Direito europeu e cidadania

Valentini lembrou que o artigo 20 do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia reconhece a cidadania europeia a todos os nacionais dos Estados-membros. Portanto, qualquer alteração legislativa que modifique esse status precisa seguir padrões comuns.

Para justificar sua análise, ele citou a jurisprudência da Corte de Justiça da União Europeia, especialmente a sentença X, de 2021. Segundo ele, a decisão estabeleceu critérios obrigatórios que devem ser observados por qualquer Estado:

“É preciso garantir um prazo razoável para que o cidadão possa buscar sua proteção, permitir acesso real ao pedido e prever a possibilidade de um exame individual de proporcionalidade.”

Valentini foi cuidadoso ao evitar juízos definitivos sobre a constitucionalidade do decreto, mas deixou clara sua preocupação com a forma como ele foi elaborado.

“O problema não é saber se a medida, em tese, é legítima. É saber se ela permite o acesso efetivo à proteção jurídica e se admite uma avaliação proporcional caso a caso”, disse.

Na conclusão de sua fala, o jurista apontou para a responsabilidade da Corte Constitucional em julgar se o Decreto-Lei 36/25 está de acordo com o artigo 117 da Constituição Italiana, que impõe respeito aos tratados internacionais e ao direito da União Europeia.

“Não proponho soluções. Proponho dúvidas. E o direito vive disso: da constante reflexão sobre o que é justo e proporcional”, concluiu.

A audiência da Corte Constitucional sobre o Decreto Tajani está marcada para o dia 11 de março. A decisão poderá definir o futuro da cidadania italiana por descendência, com repercussões diretas para milhões de ítalo-descendentes em todo o mundo.

Publicidade / Bendita Cidadania
Cidadania italiana e Justiça Europeia
Cidadania italiana
Estava esperando para entrar com o processo?

A decisão da Corte Constitucional mudou o cenário. A nova lei da cidadania agora será analisada pela Justiça da União Europeia.

“Hoje, muito mais do que ontem, faz sentido começar um processo.” Disse um dos advogados da causa
ANALISAR MEU CASO AGORA

5 Comentários

1 Comentário

  1. Ademir

    7 de fevereiro de 2026 at 13:26

    Se eu conheço bem esse pais nesta data nao vai ser decidido nada, e vao marcar pro ano que vem um referendo ou alguma coisa do tipo. Tem que aprender com os Franceses como se faz.

  2. Ricardo Dedini

    7 de fevereiro de 2026 at 20:13

    É como vc ter o sangue italiano e não ser italiano,quem entrou antes da lei é reconhecido, é como vc ser filho da Itália e perante a lei não ser mais .
    Política?
    Acredito na revogação a descendência italiana pelo mundo não pode ter fim,talvez muitos descendentes seja mais italianos do que muitos

  3. Maria Celeste Galvani

    7 de fevereiro de 2026 at 22:36

    Nós italos-brasileiros temos imenso orgulho de pertencer ao passado que um dia aportou aqui. Com muitos percalços em viagem e depois em terra firme. Hoje vemos a história morrer em nós. A Itália bem podia incentivar o retorno de uma população Jovem e descendente. Seria forma de reparação junto a esses que vieram e não puderam voltar apesar do grande arrependimento.

  4. Judson Andreati

    8 de fevereiro de 2026 at 14:02

    Tudo isto porque os funcionários públicos das comunes, conseguem serem ainda piores que os funcionários públicos brasileiros ( entre preguiça de trabalhar, horários reduzidos, licenças infindáveis de gripe, saída para o café e fumar um cigarrinho) o expediente de trabalho já acabou

  5. Cintia Bergamin Santana Dias

    8 de fevereiro de 2026 at 23:33

    Eu também acredito que muitos netos como eu estão sendo prejudicados como já disseram no passado os meus Bisavós foram obrigados a sair da sua terra e seguir rumo ao desconhecido o nosso Brasil, hoje nós queremos ir conhecer a Itália e nem assim somos bem vindos é uma tristeza , realmente estão desonrando os nossos antepassados.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PUBLICIDADE / BENDITA CIDADANIA
Cidadania italiana
Cidadania italiana
Saiba quem tem direito e como iniciar o processo.
• Busca de documentos na Itália
• Serviços consulares
• AIRE e atualização cadastral
• Suporte para emissão de passaporte
Falar com especialista →

Confira também:

Cidadania

Programa do Futuro Nazionale reúne 22 medidas sobre imigração, incluindo restrições à naturalização, reagrupamento familiar e benefícios sociais

Cidadania

Consulado de SP diz que agenda para cidadania italiana de menores está lotada até o fim de 2026.

Cidadania

Corte de Cassação decidirá se documentos podem ser apresentados após o início de uma ação de cidadania italiana, questão que pode afetar centenas de...

Cidadania

Decisão aplica regras vigentes antes da conversão do decreto e pode reforçar ações apresentadas entre o fim de março e 23 de maio de...