Trabalhar remotamente em outro país pode parecer simples até começarem as exigências de residência, impostos, abertura de conta bancária e acesso a serviços locais. Um levantamento divulgado em setembro pela Holafly avaliou justamente esses obstáculos e colocou a Geórgia como o destino com menor “fricção” para nômades digitais em 2026. Portugal também aparece entre os dez países mais favoráveis nas repercussões do estudo.
O chamado Digital Nomad Friction Index 2026 analisou 17 destinos procurados por trabalhadores remotos. Entre os critérios estão complexidade dos vistos, burocracia depois da chegada, acesso a serviços bancários, conectividade, sistema de saúde e riscos capazes de interromper a rotina de trabalho.
Segundo a Holafly, quase metade dos trabalhadores remotos e nômades digitais ouvidos no levantamento, 46,8%, afirmou já ter perdido horas faturáveis ou renda devido a problemas durante viagens. Entre os participantes que relataram esgotamento, 89,1% disseram sentir-se sobrecarregados com questões burocráticas, enquanto 86,5% apontaram a perda de conexão com a internet como fonte importante de ansiedade.
Geórgia tem menos obstáculos
A Geórgia ficou no extremo mais favorável do índice.
De acordo com o levantamento, o país do Cáucaso se destaca pela menor carga burocrática cotidiana entre os destinos avaliados. O estudo afirma que trabalhadores estrangeiros encontram menos exigências de registro e conseguem abrir uma conta bancária apenas com o passaporte em determinadas situações.
Peru e África do Sul aparecem logo depois nas reportagens que reproduziram os resultados. No caso peruano, o estudo destaca alternativas de residência e uma exigência de renda considerada relativamente baixa, embora o risco de terremotos e de eventos associados ao El Niño reduza sua avaliação. Já a África do Sul perde pontos principalmente no quesito saúde.
Portugal aparece entre os dez
Portugal também foi incluído no grupo dos destinos considerados mais simples para quem pretende viver enquanto trabalha remotamente.
Ao mesmo tempo, o estudo ressalta que países da União Europeia tendem a exigir mais procedimentos depois da chegada. Segundo a Holafly, todos os países da UE incluídos na pesquisa, entre eles Portugal, Espanha e Alemanha, exigem algum tipo de registro de endereço e identificação fiscal.
Na lista reproduzida por SiViaggia e Euronews, os dez primeiros são Geórgia, Peru, África do Sul, Tailândia, Malásia, Vietnã, Croácia, Hungria, Portugal e Emirados Árabes Unidos.
Há, porém, uma ressalva metodológica importante. O comunicado público da própria Holafly disponível atualmente não apresenta a ordenação completa dos dez países com menor fricção. Ele confirma a Geórgia como o destino mais simples e divulga, em sentido contrário, os dez países com mais obstáculos. Por isso, a posição intermediária dos demais destinos deve ser atribuída às reportagens que repercutiram o levantamento.
A Itália não está entre os 17 países analisados, portanto o estudo não permite comparar diretamente o país com Portugal ou com os demais integrantes do ranking.
Os países com mais burocracia
No outro extremo, a Holafly coloca Colômbia e México como os destinos com maior fricção, seguidos por Alemanha, Indonésia e Argentina. Bulgária, Espanha, Emirados Árabes Unidos, Croácia e Hungria completam a relação dos dez países com mais obstáculos entre os 17 avaliados.
O índice não deve ser interpretado como uma recomendação migratória. Regras de entrada, residência e tributação variam conforme nacionalidade, duração da permanência, origem da renda e situação fiscal do trabalhador.
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