As tensões geopolíticas no Golfo estão levando grandes fortunas a reduzir investimentos em Dubai e direcionar capital para a Europa. A Itália voltou a ganhar destaque como destino para compra de imóveis de luxo.
O movimento ocorre após anos em que Dubai concentrou investimentos internacionais. O emirado atraiu investidores com tributação favorável, processos rápidos e possibilidade de adquirir múltiplas unidades no mesmo empreendimento.
Agora, o cenário internacional e o temor de instabilidade estão provocando uma mudança de estratégia entre esses investidores.
Mudança no fluxo de investimentos
A Itália se reposiciona como alternativa. O país reúne patrimônio histórico, qualidade de vida e um mercado imobiliário consolidado.
Dados da empresa Lionard Luxury Real Estate indicam crescimento médio anual de cerca de 20% nas transações de alto padrão. Em 2025, os pedidos de compra subiram 25% em relação a 2024.
Segundo a empresa, o portfólio médio dos clientes supera 5,2 milhões de euros. O segmento mais dinâmico é o de imóveis acima de 5 milhões de euros. Já a faixa entre 1,5 milhão e 3 milhões foi impactada pelo aumento dos custos de energia e manutenção.
Perfil dos compradores
O mercado é global. Entre os principais compradores estão franceses, britânicos e americanos. Investidores do norte da Europa e novos empreendedores internacionais também ampliam presença.
Os imóveis mais procurados incluem vilas históricas na Toscana, residências no litoral da Sicília, propriedades no Veneto e coberturas em centros históricos.
Uso de tecnologia nas negociações
A tecnologia passou a ter papel central no setor. A Lionard desenvolveu o sistema LAIA, baseado em inteligência artificial, para conectar compradores e imóveis.
O sistema analisa preferências e identifica o momento em que o interesse do cliente é mais concreto. Algoritmos também estudam o comportamento online dos usuários e sugerem imóveis compatíveis com seus perfis.
Esse processo reduz o tempo de negociação e melhora a comunicação com clientes internacionais.
Digitalização das vendas
A digitalização mudou o comportamento de compra. Durante a pandemia, transações passaram a ocorrer à distância, com visitas virtuais e reuniões online.
Esse modelo continua em uso, especialmente entre investidores estrangeiros.
Paralelamente, cresce o mercado de reformas de alto padrão. Obras em imóveis históricos ou grandes apartamentos custam entre 3.000 e 4.000 euros por metro quadrado e envolvem diversos profissionais especializados.
Negócios emblemáticos
O mercado registra operações de alto valor. Coberturas em Milão já foram vendidas por mais de 20 milhões de euros. Também há negociações de edifícios históricos em Florença e residências com vista para o Grande Canal, em Veneza.
Esses ativos seguem atraindo investidores internacionais.
O atual movimento reflete uma tendência mais ampla. A riqueza global se torna cada vez mais móvel, com decisões influenciadas por fatores como estabilidade geopolítica, tributação e diversificação.
Nesse cenário, a Itália permanece entre os destinos mais procurados para investimentos imobiliários de luxo.

























































