Siga o Italianismo

Olá, o que deseja procurar?

ItalianismoItalianismo

Herança italiana

Luigi Papaiz: imigrante construiu império de cadeados e fechaduras

Italiano chegou ao Brasil em 1952 e criou uma marca que se tornou sinônimo de cadeados e fechaduras de qualidade

papaiz
Luigi Papaiz: imigrante construiu império de cadeados e fechaduras

O italiano Luigi Papaiz chegou ao Brasil no pós-guerra para procurar trabalho. Construiu uma marca de cadeados e fechaduras de solidez implacável.

Ele nasceu no dia 27 de setembro de 1924 na cidade de Sesto al Reghena, que fica na província de Pordenone, na região de Friuli-Venezia Giulia, no nordeste da Itália.

Em seu país, mais precisamente em Bolonha, ele frequentou o curso técnico industrial em um colégio de padres salesianos. Após o final da Segunda Guerra Mundial, trabalhou em empresas de fabricação de máquinas.

Em 1947, ainda na Itália, Luigi Papaiz chegou a abrir uma empresa de válvulas de pressão para gases líquidos, com recursos emprestados de seus irmãos. No entanto, a forte crise italiana naquele período não permitiu o sucesso dos negócios.

No ano de 1952, o italiano Luigi e seu primo Giovanni Brunetta decidiram viajar para o Brasil, em busca de uma chance de empregar melhor seus conhecimentos profissionais.

Funcionários posam com Luigi e Giovanni

Chegada ao Brasil e mudança de planos

Os dois desembarcaram no Porto de Santos e chegaram à cidade de São Paulo, trazendo um pouco de dinheiro e algumas máquinas. O Brasil estava em franca industrialização, mas não havia mercado para as válvulas de pressão.

Sendo assim, Luigi Papaiz e Giovanni Brunetta conversaram com compatriotas que estavam há mais tempo no país e acabaram traçando novos objetivos. Os dois iniciaram no bairro da Vila Prudente uma fábrica de fechaduras para fornecimento das peças à indústria de móveis.

A produção inicial e o direcionamento de recursos no investimento de novas tecnologias para a empresa permitiram o rápido crescimento dos negócios, com a aquisição de máquinas e equipamentos industriais de última geração.

Propaganda antiga da chave tetra, inovação da empresa

Em 1967, Luigi Papaiz iniciou a produção de cadeados, decisão que mudaria para sempre o destino da empresa, que acabou se tornando referência e uma das marcas líderes no mercado brasileiro nas décadas seguintes.

Novos lançamentos e nova fábrica

Na mesma época, a empresa iniciou a produção de esquadrias padronizadas, com o lançamento de uma coleção de esquadrias de alumínio para portas e janelas. A Papaiz passou a atuar nesse segmento com a marca Udinese.

No ano de 1970, a empresa iniciou a produção de fechaduras residenciais, com destaque para a fechadura tetra, um dispositivo de alta segurança.

A fábrica em Diadema foi inaugurada em 1982

Nos anos seguintes, a empresa foi crescendo e adicionando novos lançamentos à sua linha de produção. O sucesso nos negócios levou à inauguração de novas e modernas instalações industriais no município de Diadema, na região metropolitana de São Paulo, no ano de 1982.

No ano 2000, o grupo criou a Papaiz Nordeste, um polo industrial localizado em Salvador, na Bahia, para onde foi transferida a fabricação das linhas de cadeados e fechaduras para móveis.

Despedida de Luigi Papaiz e segunda geração

Luigi Papaiz morreu em 2003, aos 79 anos, em Bolonha, na Itália, deixando a mulher Ângela e os três filhos, Sandra, Paolo e Roberta, representantes da segunda geração da família. Os três passaram a tomar conta dos negócios, juntamente com Ricardo Franco, marido de Roberta.

Em 2007, a empresa inovou ao lançar no mercado novas embalagens para sua linha de cadeados, com o objetivo de facilitar a escolha do consumidor na hora da compra e deixando seu visual mais atrativo, moderno e informativo.

A marca trouxe diversas inovações em seus produtos

Nessa mesma época, a Papaiz criou novos designs para fortalecer a identidade visual da marca, criando cadeados coloridos e também linhas diferenciadas, incluindo as de cadeados com emblemas de times de futebol, como São Paulo, Flamengo, Corinthians, Palmeiras, Santos, Grêmio e Vasco, entre outros.

Nos anos seguintes, a Papaiz seguiu inovando seus produtos, para que se transformassem em acessórios de estilo e não somente em itens de segurança.

Assim, em 2009, nasceu a linha Collezione, composta por peças exclusivas como a maçaneta Massima, o cadeado Fashion e o cadeado Fashion Segredo, todos com estampas florais e coloridas assinadas pela designer Adriana Barra.

Outra novidade foi o lançamento dos cadeados da linha Comics, criados para crianças e adolescentes, que trazem personagens licenciados, como a coreaninha Pucca e o herói Ben 10.

Cadeados com personagens licenciados Pucca e Ben 10

Início de uma nova fase

Em 2015, a Papaiz foi adquirida pela multinacional ASSA ABLOY, formada em 1994 a partir da fusão da sueca Assa e da finlandesa Abloy, que compreende mais de 400 empresas subsidiárias em 70 países e com liderança mundial em soluções de segurança e abertura de portas.

Nos anos seguintes, a empresa seguiu lançando inovações, como os cadeados com acabamento emborrachado (soft touch) e as linhas de fechaduras digitais Smart Lock.

A Papaiz produz ainda fechaduras para residências e para móveis, dobradiças e olhos mágicos e é uma das marcas líderes do mercado brasileiro, exportando seus produtos para mais de 20 países ao redor do mundo e com faturamento estimado de R$ 230 milhões.

A Papaiz é uma das líderes do mercado e exporta para mais de 20 países

Esforço de Luigi Papaiz reconhecido

Luigi Papaiz atuou como mecenas de vários eventos culturais na comunidade italiana em São Paulo. Em 2003, pouco antes de sua morte, recebeu do presidente italiano Carlo Azeglio Ciampi a comenda de Cavaliere di Gran Croce. Ele recebeu ainda o título de Cidadão Paulistano da Câmara Municipal de São Paulo, em 1984.

O legado de seu trabalho no Brasil é a recompensa pelo esforço de um italiano que chegou à sua nova terra com pouco dinheiro no bolso e muita esperança de prosperar.

Por Roberto Schiavon/Italianismo

Siga o Italianismo no Instagram

Deixa o seu comentário:

Destaques do editor

Destaque do Editor

A transmissão da cidadania italiana jure sanguinis pode ser comprovada por qualquer meio, diz a Corte de Cassação da Itália

Cotidiano

Prefeito perde batalha contra ítalo-brasileiros: A lei falou mais alto. Parece que o jogo virou, não é mesmo, senhor prefeito?

Cidadania Italiana

Cidadania italiana irregular: 92 cidades da província de Nápoles entram em investigação.

Cidadania Italiana

Silmara Fabotti, líder de esquema de cidadania italiana falsa, planejava fugir da Itália, relata juiz.

Cidadania Italiana

A crescente diáspora italiana: Migração em massa em busca de melhores oportunidades e realização pessoal.

Itália no Brasil

Um voo histórico de solidariedade: A ajuda humanitária da Itália ao Rio Grande do Sul.

Cidadania Italiana

Investigação revela esquema de corrupção envolvendo falsos certificados de residência em troca de dinheiro e favores sexuais.

Cidadania Italiana

Rodrigo Faro se defende de acusações de envolvimento em esquema de falsificação de documentos para cidadania italiana

Cidadania Italiana

Apresentador de TV, empresários e jogadores de futebol têm processos de cidadania italiana cancelados na região de Nápoles.

Itália no Brasil

Diante do público cada vez maior, desafio é garantir boa estrutura para atender bem os visitantes.

Cotidiano

Meloni apresentou queixa antimáfia sobre fluxos migratórios.

Cidadania Italiana

Suspensão temporária das audiências durante o período eleitoral e possível greve dos juízes afeta ítalo-brasileiros.