A tributação que corrói a poupança dos italianos age de forma silenciosa e passa quase despercebida, ao contrário dos impostos sobre consumo, que mobilizam eleitores. O peso do imposto sobre investimentos é descontado na fonte ou calculado pelo intermediário, confunde-se com custos de gestão e com as oscilações dos mercados e produz um dano diluído no tempo, não uma despesa imediata, publicou o jornal Il Sole 24 Ore, nesta domingo (4).
A diferença está na percepção. O italiano sente o peso do tributo quando ele aparece, mesmo que só no plano psicológico. Percebe o IVA quando a compra fica mais cara, a taxa do lixo quando chega o aviso da prefeitura, o imposto sobre o automóvel quando vence e os tributos sobre energia quando abre as contas. Já a mordida sobre investimentos atinge um rendimento muitas vezes já corroído pela inflação, sem gerar um custo visível.
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Essa assimetria torna a taxação das rendas financeiras politicamente mais fácil de impor. O público enxerga os investidores como um grupo mais restrito e abastado. Medidas como a isenção do imposto sobre veículos de pequena e média potência prevista para 2027, ou a suspensão temporária de tributos sobre combustíveis, rendem retorno eleitoral. O que corrói lentamente a poupança tende a não mover votos.
O texto cita ainda o imposto de selo, uma espécie de mini imposto sobre o patrimônio de 0,2% ao ano, cujo efeito se acumula.
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