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Arroz Brejeiro: italiano fundou império da agroindústria nacional

Massimo Leonardo Define chegou jovem ao Brasil e marcou época como grande esportista e revolucionário na indústria agropecuária

arroz brejeiro
Arroz Brejeiro: Max Define fundou império da agroindústria nacional | Arquivo

A Arroz Brejeiro está entre as maiores indústrias do agronegócio brasileiro. Ela foi fundada pelo italiano Max Leonardo Define na cidade de Orlândia.

Ação Contra as filasAção Contra as filas

O imigrante italiano Max Leonardo Define (na Itália era Massimo Leonardo) nasceu em 16 de junho de 1916 na cidade de Nápoles, localizada no sul da Itália, mais precisamente na região da Campânia.

Assim como tantos italianos naquela mesma época, ele veio ainda adolescente para o Brasil com os pais, com o objetivo de encontrar melhores condições de trabalho.

Max Define com a esposa Heloisa Leite de Moraes

Brejeiro, o arroz empacotado

Chegando ao novo país, começou a vida trabalhando na Fazenda Agudo, no município de Orlândia, interior do estado de São Paulo, onde sua principal fonte de renda era a produção de carvão.

Em 1944, aos 28 anos, fundou a Brejeiro, uma Companhia de Beneficiamento de Produtos Agrícolas. Esse foi o ponto de partida para o italiano se tornar pioneiro no empacotamento de arroz no país e começar a oferecer o produto em feiras e mercearias.

Figura importante no ramo agroindustrial brasileiro, Define também foi sócio-fundador da Companhia Mogiana de Óleos Vegetais (Comove), criada em Orlândia em 1950, para produzir óleo de soja, farelo de soja, gordura hidrogenada, lecitina de soja, sabão e sementes de arroz, feijão, trigo, soja e milho.

Além disso, o ítalo-brasileiro Max Leonardo Define estava presente em 1974 como um dos fundadores da Guabi, empresa de fabricação de ração, também sediada em Orlândia.

Capa do jornal A Gazeta de 1935, com Max Define (segundo da esquerda para a direita) e João Havelange ao centro | Arquivo: A Gazeta

O italiano nadador

O nome do industrial também está marcado na história como grande esportista, já que foi bicampeão da histórica Travessia de São Paulo a Nado, prova que era realizada na primeira metade dos anos 1900 no Rio Tietê, em São Paulo, entre a Ponte da Vila Maria e a entrada do Clube Esperia.

A prova foi disputada entre 1924 e 1944 e Max Define venceu em 1933 e 1934, quando tinha 17 para 18 anos de idade. Uma curiosidade é que a prova, que tinha percurso de 5,5 quilômetros, foi vencida em 1935 e 1936 por João Havelange, que mais tarde se tornaria presidente da Federação Internacional de Futebol (FIFA).

Na época, a Travessia de São Paulo a Nado era um evento tão popular quanto a corrida de São Silvestre. Enquanto o futuro criador da Arroz Brejeiro disputava a travessia pelo Club Athletico Paulistano, João Havelange representava o Fluminense nas provas de natação em São Paulo.

Max Define (à direita na foto), nos tempos de nadador pelo Club Athletico Paulistano | Arquivo: A Gazeta

Arroz Brejeiro nos supermercados

Voltando ao agronegócio, a partir da década de 1950, a Brejeiro aproveitou a criação dos supermercados no Brasil para sair na frente e inovar. Foi a primeira empresa brasileira a comercializar o arroz com uma “marca” atrelada ao produto.

Na mesma época, a empresa foi além, e não somente criou um nome e um logotipo, mas um personagem, o Brejeirinho, que passou a protagonizar uma série de propagandas que ficaram famosas na televisão, ganhando a atenção, a simpatia e a fidelização da clientela.

Com isso, a marca cresceu e, na década de 1960, começou a se consolidar como o arroz mais vendido nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Foi esse crescimento que permitiu que a empresa passasse a produzir também óleo e farelo de arroz, produtos que logo também assumiram a liderança de mercado.

O Brejeiro foi o primeiro arroz empacotado do país

Diversificação e exportação

Na década de 1970, o grupo começou a diversificar ainda mais seus produtos, ao ingressar no mercado com o setor de soja, com o lançamento do óleo da marca Sublime.

Nos anos seguintes, a Brejeiro investiu ainda mais para melhorar o refinamento do óleo de soja e conseguiu um produto mais puro, claro e de sabor tão neutro quanto os óleos de arroz e algodão.

No final da década de 1990, a Brejeiro começou a produzir lecitina de soja e recebeu a certificação HACCP de Qualidade. Por processar apenas soja não transgênica, com garantia de procedência, a Brejeiro passou a exportar lecitina e farelo de soja para diversos países.

Com isso, a empresa ganhou uma posição privilegiada no mercado internacional e acabou ingressando na produção de gordura vegetal hidrogenada.

O grupo exporta seus produtos para diversos países

Empresa socialmente consciente

A partir dos anos 2000, com produtos de qualidade e ótima imagem no mercado mundial, a Arroz Brejeiro seguiu somando conquistas, como a Certificação Kosher (Ortodox Union, Certificação GMP+ e Certificação HALAL e IP).

Além disso, desde 2011 a empresa comercializa Biodiesel. Em 2012, recebeu a concessão do direito de uso do Selo Combustível Social, identificação concedida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário aos produtores de Biodiesel que promovem a inclusão social e o desenvolvimento regional.

A concessão foi renovada em 2017, devido à geração de emprego e renda promovida pela empresa aos agricultores familiares do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

A diversificação de produtos começou já na década de 1970

O sucesso que veio do trabalho

Em março do ano passado, a revista Forbes Brasil publicou a lista das 100 maiores empresas do agronegócio brasileiro em 2020 e a Arroz Brejeiro estava na 88ª colocação, com receita de R$ 1,27 bilhão.

Uma empresa que nasceu como cerealista, diversificou-se e hoje possui três unidades de esmagamento de soja (uma no interior de São Paulo e duas em Goiás), mais três beneficiadoras de sementes (em São Paulo, Minas e Goiás), duas beneficiadoras de arroz no Rio Grande do Sul e dez armazéns para receber produtos diretamente dos agricultores parceiros.

O italiano Max Leonardo Define, empreendedor na área do agronegócio e esportista na juventude, morreu em 2002, aos 86 anos. Deixou familiares, amigos e mais uma história exemplar do empreendedorismo que ajudou a construir o Brasil.

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