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Crise na saúde

Metade dos italianos paga ou desiste de exames por causa das filas de espera

Fundação Gimbe aponta que avanço nas filas de espera na Itália pode ser só contábil, com prazos cumpridos apenas no papel.

Metade dos italianos paga ou desiste de exames por causa das filas de espera
Metade dos italianos paga ou desiste de exames por causa das filas de espera. Foto: reprodução / La Stampa.
ATUALIZAÇÃO · 23/09/2026 às 01:43
O sistema público de saúde do Piemonte marcou para 2 de fevereiro de 2028 o exame mais próximo disponível para rastreamento de mama, segundo relato da La Stampa. O caso ilustra a dimensão das filas já noticiada, quando metade dos italianos paga ou desiste de exames. (Segundo o jornal La Stampa, ver original.)

A melhora das filas de espera na saúde pública da Itália pode ser apenas um efeito contábil, sem tradução em atendimento real aos pacientes. A plataforma nacional das listas de espera contabilizou mais de 14,9 milhões de agendamentos no primeiro semestre de 2026, com prazos cumpridos em 78,5% das consultas e 84,6% dos exames. Ao decompor o dado, porém, a Fundação Gimbe aponta que a melhora efetiva fica abaixo de 20%, informou o jornal La Stampa, nesta terça-feira (22).

Leia também: Deputado Porta esclarece proposta que pode afetar saúde de italianos no exterior

O sistema italiano organiza consultas e exames por classes de prioridade, com prazos que vão de três a 120 dias. A contagem oficial considera a primeira data proposta, não o agendamento confirmado nem a consulta realizada. Assim, o prazo é dado como cumprido mesmo quando o paciente recusa a data por ser distante de sua cidade ou incompatível. Em 2025, apenas uma prescrição em cada duas resultou em agendamento pelo sistema público. O destino da outra metade é desconhecido.

Os avanços aparecem em 13 das 14 consultas e em 19 dos 22 grupos de exames. Ficam para trás seis consultas e três exames, entre eles a colonoscopia, com só 69,8% no prazo, a gastroscopia e a eletromiografia. Pioraram a consulta ortopédica, a tomografia de tórax e as ressonâncias magnéticas. As diferenças entre regiões são grandes, com divergência de 44,2 pontos nas consultas.

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