“Vocês não lutaram para conseguir ser italiano” e “vocês ganharam de graça (sic) uma cidadania de sangue”. Foi com essas declarações que o representante do Movimento Associativo Italiani all’Estero no Brasil, Fabio Fasoli, marcou sua participação em uma transmissão de um debate promovida pela revista Insieme nesta quinta-feira (5).
A fala ocorreu durante um encontro que tinha como objetivo discutir a posição dos partidos italianos, com seus representantes no Brasil, diante do referendo sobre a Justiça previsto para março.
O tom adotado por Fasoli provocou reação política e rapidamente começou a circular em grupos de cidadania italiana nas redes sociais, onde gerou críticas e manifestações de indignação.
Durante o debate, Fasoli afirmou que descendentes de italianos não lutaram para obter a cidadania e que o reconhecimento do direito decorre de uma escolha histórica do Estado italiano.
“Vocês não conquistaram nada, vocês ganharam de graça uma cidadania de sangue que a Itália introduziu em 1865 no Código, porque historicamente a Itália quis levar à frente o conceito de sangue. Portanto, vocês não lutaram para conseguir ser italiano, ok? Eu nasci na Itália, sou italiano de sangue, mas nasci na Itália. Então, hoje, como todos os descendentes que nascem italianos, vocês devem ter o respeito de reconhecer que a Itália dá a vocês o direito de se reconhecer após três, quatro gerações, de forma clara, humilde e respeitosa, porque ninguém deve nada a ninguém”, disse.
Fasoli, que é presidente do Comites/MG e tem um escritório que atua com cidadania italiana, participou do debate como representante do MAIE Brasil.
A declaração provocou reação imediata do deputado Fabio Porta, que criticou a postura do representante do partido e voltou a questionar a atuação do MAIE nas discussões políticas relacionadas à cidadania italiana.
Segundo Porta, a fala reforça as razões que, na sua avaliação, explicam a permanência do partido na base do governo italiano, mesmo após medidas que afetaram direitos ligados à cidadania.
“O porta-voz do MAIE Brasil confirmou, com suas declarações, as razões que levaram esse partido-movimento a permanecer na coligação de governo responsável por retirar o nosso direito à cidadania. O MAIE teve uma atuação pífia e constrangedora durante a tramitação parlamentar do chamado ‘decreto da vergonha’ e hoje aparece mobilizado, como nunca antes, em apoio à reforma da Justiça promovida pelo governo Meloni-Tajani. Não é por acaso que importantes lideranças desse partido-movimento no Brasil se afastaram ou passaram a se tornar alguns dos principais críticos dessa postura, que considero oportunista e incoerente”, disse Porta.
O debate promovido pela revista tinha como foco discutir o posicionamento dos representantes, no Brasil, dos partidos italianos diante do referendo sobre a Justiça que será realizado na Itália, marcado para os dias 22 e 23 de março de 2026.




























































Danilo Borin
6 de março de 2026 at 17:55
Muito obrigado ao Fasoli por dizer sem meias palavras o que o Merlo se segura para não falar. O MAIE, o Movimento Associativo dos ITALIANOS NASCIDOS NO EXTERIOR, não considera os italianos nascidos no exterior parte da Itália. Nós somos uma consequência não previstas da adoção o jus sanguinis e a Itália nos reconhecer italianos é um favor que devemos agradecer de cabeça baixa. Obrigado Sr. Fasoli por desenhar o porquê não devemos votar jamais no MAIE.