A Itália concedeu a cidadania para 217 mil pessoas durante o ano de 2024. A cidadania por ascendência, conhecida como ius sanguinis, respondeu por 11% do total de reconhecimentos em 2024. Os dados mais recentes foram divulgados pelo Istat, o instituto nacional de estatística do país. O número representa um leve aumento em relação aos 214 mil registros contabilizados em 2023.
O balanço oficial indica que o volume de novas cidadanias permanece acima de 200 mil pelo terceiro ano consecutivo. Este patamar é considerado o mais alto já registrado na série histórica das estatísticas italianas.
Apesar de representar uma fatia menor do volume geral, a modalidade ius sanguinis registrou um crescimento de 31% na comparação com o ano anterior.
Em 2025, o “Decreto Tajani” (Lei n.º 74/2025) restringiu severamente a cidadania italiana por ius sanguinis, limitando-a a filhos e netos de italianos, exigindo que o ascendente mantivesse a cidadania exclusiva.
Antonio Tajani, vice-primeiro-ministro da Itália e ministro das Relações Exteriores, justificou as restrições com base no crescimento que considera insustentável do número de pedidos e na descaracterização do vínculo com a Itália.
Para Daniel Taddone, membro do Conselho Geral dos Italianos no Exterior (CGIE), o decreto não foi uma surpresa.
“O ‘Decreto della Vergogna’ não foi um ‘fulmine a ciel sereno’, como se diz em italiano, ou seja, não surgiu repentinamente do nada. Foi um projeto bem elaborado que começou com a manipulação e distorção de fatos em veículos jornalísticos”, afirmou.
Taddone também questiona a narrativa de explosão de pedidos de cidadania. Para ele, “o número de pedidos de reconhecimento da cidadania italiana por parte dos descendentes é tranquilamente gerenciável, bastaria vontade política e um mínimo de modernização”.
Números
Os números detalhados pelo Istat mostram que a residência é a principal via de acesso ao passaporte. Pouco mais de 40% dos novos cidadãos, cerca de 85 mil pessoas, obtiveram o documento por viverem legalmente na Itália por pelo menos 10 anos.
Menores de idade que se tornaram italianos acompanhando a naturalização dos pais representam quase um terço do total. O grupo de pessoas nascidas e criadas na Itália com pais estrangeiros somou 11 mil concessões em 2024.
O grupo de novos cidadãos foi liderado por albaneses, com 31 mil concessões, e marroquinos, com 27 mil. Os romenos ocupam a terceira posição com 15 mil registros. Já as aprovações para argentinos e brasileiros registraram queda de 10% no período.
A cidadania por casamento representou menos de 9% do total em 2024. Foram 19 mil concessões nesta modalidade, uma redução de 14,3% em relação a 2023. Mulheres representam 80% dos casos de cidadania por matrimônio.
A região da Lombardia concentra o maior volume de novas cidadanias, com 27% do total nacional. Em seguida aparecem as regiões da Emilia-Romagna, com quase 14%, e do Vêneto, com pouco menos de 12%. Milão e Roma são as províncias com mais registros.



























































