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Frango Assado: restaurante de estrada com tradição italiana

Imigrantes do Vêneto criaram a milionária rede de restaurantes Frango Assado, a partir de uma barraca de frutas na Via Anhanguera

frango assado
Frango Assado: restaurante de estrada com tradição italiana

A Frango Assado, rede de restaurantes de estrada, surgiu em 1952, com uma banca de frutas do casal Rosa e José Mamprin, filho de imigrantes italianos.

Assim como tantos imigrantes italianos fizeram entre o final do século 19 e o início do século 20, a família Mamprin veio para o Brasil de Vêneto, com o objetivo de trabalhar e vencer em sua nova terra.

Muitas daquelas famílias poupavam ao máximo, a fim de enviar o excedente de seus ganhos salariais para a Itália ou mesmo adquirir propriedades aqui no Brasil, assim que fossem vencidas as primeiras dificuldades.

Com o incentivo do movimento migratório promovido na época pelo governo de São Paulo, os Mamprin chegaram à região de Louveira, a cerca de 70 quilômetros da capital e a 30 quilômetros de Campinas.

Restaurante Frango Assado, ainda em seus primeiros anos

Foi ali que José Mamprin, da segunda geração de imigrantes italianos da família, casado com Rosa Giardelli Mamprin, e pai de três filhos pequenos, comprou um sítio. Depois de trabalhar como colono, depois oleiro e vendedor de frangos, finalmente Mamprin passou a produzir frutas em sua própria propriedade.

José Mamprin adquire mais terras

Em 1947, com a perspectiva de casamento dos filhos e aumento da família, José Mamprin adquiriu outro sítio no bairro da Capela, na atual cidade de Vinhedo. Dividiu a propriedade em quatro partes e as entregou aos filhos

O casal Mamprin passou a morar no sítio original, que passou a ser administrado pelo filho mais velho, Guilherme, e sua esposa Ana Thomé. A administração da nova propriedade de Vinhedo ficou com sua filha Luiza e seu marido Francisco Rovere. Para tornar a área produtiva, o casal plantou em toda sua extensão.

Arnaldo, o terceiro filho, solteiro, transitava entre as duas propriedades, sem ocupação definida na divisão do trabalho familiar. Constantina, a caçula, era casada com Antonio Trivellato, com quem dirigia um pequeno restaurante na estação de trens de Louveira, conhecido como Bar da Estação.

O casal Rosa e José Mamprin deu início aos negócios

Surge o Rancho São Cristóvão

A rodovia Anhanguera chegou a Campinas em 1950. Na mesma época, Guilherme Mamprin sugeriu ao pai que explorassem um ponto de vendas do excedente das frutas produzidas nos sítios da família na nova rodovia.

Em 1952, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) acolheu a solicitação e ofertou uma concessão para a exploração do negócio, no quilômetro 73, sentido interior – capital, na altura da cidade de Louveira.

Em 15 de novembro de 1952 foi então inaugurado o Rancho São Cristóvão, nome que homenageava o padroeiro dos motoristas. Além das frutas, o local oferecia sanduíches de linguiça, de pernil e de carne de boi, além dos chamados coscorões (torresmos) e diversos tipos de bebidas, como refrigerantes e cervejas.

Naquela época, o movimento na rodovia aumentava pouco a pouco, principalmente devido ao transporte de produtos agrícolas para a capital paulista e de produtos industrializados para o interior e outros estados. Muitos motoristas desejavam almoçar e não apenas comer um lanche.

Os viajantes paravam para saborear a comida caseira do estabelecimento

Frango Assado veio naturalmente

Pensando nisso, Rosa passou a preparar os pratos mais conhecidos da região, como a costela de porco com batatas. No entanto, o que começou a fazer sucesso mesmo foi o frango assado que Rosa preparava para o almoço do marido e dos netos. O cheiro começou a chegar até os clientes, que não só passaram a exigir o prato como a identificar o local com o nome da saborosa receita.

Foi assim que, em 1955, José não teve dúvidas e, aproveitando a fama do frango preparado por Rosa, incorporou a novidade ao cardápio e rebatizou a barraca com o nome de Frango Assado.

No ano seguinte, com a duplicação da rodovia, a área onde ficava o barracão foi desapropriada. Assim, a família Mamprin aproveitou a oportunidade e construiu um restaurante na altura do quilômetro 72, na mesma estrada, dando ênfase agora às refeições.

Restaurante cheios de inovações

O prédio era modesto, com formato retangular, mobiliário de madeira. Na cozinha, cheiros e sabores de panelas antigas e novas se misturavam sobre um grande fogão à lenha. A rede foi pioneira no atendimento aos clientes, pois já em 1958 vestia seus garçons e garçonetes com uniformes, inovação em restaurantes de estrada.

Na década de 1960, o estabelecimento da família Mamprin vendia tanto frango assado que algumas avícolas chegaram a se estabelecer na região, apenas para aproveitar a onda e virar fornecedoras do restaurante.

Tamanho sucesso era explicado por outros fatores, como a eficiência no atendimento e uma cozinha que misturava pratos rápidos com um toque caseiro. O espetinho de frango empanado, o pão de semolina e os biscoitos de polvilho rapidamente se tornaram algumas de suas marcas registradas.

Apesar do sucesso, todo o lucro do Frango Assado ia para outro empreendimento, o Restaurante Fonte Santa Teresa, em Valinhos. No entanto, no final da década de 1960, o restaurante passou a ser administrado pela terceira geração da família, Valmik Mamprin, Antonio Rovere e César Trivellato.

O restaurante se transformou em uma rede milionária (IMC/Divulgação)

Terceira geração expande Frango Assado

Com sangue novo à frente dos negócios, o estabelecimento foi completamente transformado, em reforma que durou três anos. Os fundos ganharam amplo salão de refeições, a cozinha e a padaria vieram para o centro, permitindo aos clientes observarem o trabalho dos funcionários. A frente do restaurante ficou reservada aos balcões de atendimento rápido e às gôndolas do minimercado.

Com a construção da Rodovia dos Bandeirantes, nova rota para o interior do estado, a família ficou preocupada com uma eventual queda no movimento e não ficou parada. Acabou inaugurando filiais em outras rodovias de intenso movimento de São Paulo: Rodovia dos Imigrantes (unidade de Diadema), em 1976, e Via Dutra (unidade de Jacareí), em 1977.

O Frango Assado passou a oferecer pratos variados com opções de saladas, massas, carnes grelhadas, assadas, bebidas e sobremesas. Tudo com o atendimento de garçons treinados e a supervisão de um maitre, garantindo conforto e satisfação dos clientes.

Inovações em todas as áreas

Os balcões se tornaram locais de consumo muito rápido de produtos de boa qualidade, como sanduíches variados, salgados assados e fritos, bebidas, frutas, doces e sorvetes. A padaria passou a disponibilizar grande variedade de pães, doces caseiros e roscas, assim como o minimercado passou a vender itens como brinquedos, revistas e até produtos de farmácia.

Além disso, nos postos de serviços passou a ser disponibilizada completa assistência para veículos também, como todos os tipos de combustíveis, serviços de borracharia e compra e troca de acessórios. Os sanitários foram equipados com fraldários e acesso para portadores de necessidades especiais.

A rede Frango Assado implantou outra inovação, trazida por Walmik Mamprin, filho de Guilherme Mamprin, após conhecer o sistema em uma viagem a Itália, onde havia muitos restaurantes de estrada: a ficha individual para os consumidores. Além do controle mais efetivo dos pagamentos, a novidade resultou em aumento significativo nos gastos por cliente.

O frango continua sendo o grande destaque do cardápio

Rede Frango Assado é vendida

Em 1985 a rede inaugurou mais uma filial, na cidade de Sumaré, na Via Anhanguera. Durante a década de 1990, novas unidades da rede foram inauguradas em locais estratégicos, como Cubatão, Itu, Caieiras e Cajamar.

Com uma clientela fiel que parava em suas lojas para abastecer, usar seus banheiros e comer seus salgados de sabor e aspecto caseiro, a rede Frango Assado acabou sendo adquirida em 2008 por R$ 170 milhões pela IMC (International Meal Company), empresa líder em restaurantes de refeições casuais e fast-food da América Latina.

A rede de restaurantes iniciada em 1952 naquele terreno adquirido pela família de imigrantes italianos às margens da Via Anhanguera tem hoje mais de 36 lojas, cerca de 4 mil funcionários e faturamento estimado de R$ 400 milhões. Ao todo, são mais de 13 milhões de clientes atendidos anualmente em todas as lojas da rede.

Essa é mais uma história de imigrantes italianos que chegaram ao Brasil sem muito dinheiro no bolso e construíram verdadeiros impérios a partir de ideias simples, colaboração familiar e muito trabalho.

Por Roberto Schiavon/Italianismo

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