A manobra econômica que Giorgia Meloni sonhava, com mão larga em gastos, ficou mais difícil depois do fracasso no recálculo do déficit. Da flat tax aos bônus, as medidas eleitorais se tornaram mais distantes, enquanto as margens de despesa se estreitaram. O episódio abriu um efeito curioso para a premiê: aproximou a hipótese de eleições antecipadas, informou o jornal La Repubblica, nesta quarta-feira (23).
O cálculo político descrito é direto. Com menos dinheiro para distribuir, cresce a avaliação de que seria melhor ir ao voto antes que a inflação em disparada revele seus efeitos mais graves sobre a economia. A flat tax é o imposto de alíquota única defendido por setores da direita italiana. Os bônus são benefícios e incentivos que o governo usa para atender a grupos de eleitores.
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A construção do orçamento também depende de conversa com Bruxelas. A negociação com a União Europeia entra em cena porque os países do bloco precisam respeitar limites de déficit e de dívida acordados em conjunto. Quando as contas apertam, o espaço para novas despesas fica sujeito a esse controle, o que reduz a liberdade do governo para bancar promessas de campanha.
O quadro descrito coloca Meloni diante de um dilema. As mesmas contas que limitam a manobra econômica pesam na decisão sobre o calendário eleitoral.
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