Siga o Italianismo

Olá, o que deseja procurar?

ItalianismoItalianismo

Herança italiana

Di Giorgio: italiano colocou seus violões na história do Brasil

Nascido em Roma, em 1889, o jovem luthier Romeu veio para o Brasil para encontrar trabalho

di giorgio
Romeu Di Giorgio: italiano colocou seus violões na história do Brasil

Os violões Di Giorgio fazem parte da trajetória da música do Brasil. Essa história iniciou com a chegada do italiano Romeu Di Giorgio ao país.

Nascido em 1889 em Roma, na Itália, o jovem luthier Romeu Di Giorgio veio para o Brasil muito jovem, no início do século 20, para encontrar trabalho.

Chegando aqui, o imigrante italiano veio morar na cidade de São Paulo, onde abriu em 1908 o Atelier de Violões Finos Romeu Di Giorgio, passando a vender seus instrumentos musicais para a comunidade italiana.

Fachada doAtelier de Violões Finos Romeu Di Giorgio, na década de 1920

No atelier, Romeu passou a colocar em prática os ensinamentos que havia aprendido com outro italiano, o luthier de violinos Lorenzo Fritelli, que lhe ensinou os segredos dos instrumentos musicais acústicos.

Di Giorgio ganha novas instalações

A empresa produzia também outros instrumentos musicais de cordas, como violas, violinos, bandolins e violas da gamba, muito utilizados pelos imigrantes europeus na época.

Os instrumentos tiveram grande aceitação da comunidade e as vendas passaram a expandir para outros públicos, garantindo o sucesso dos negócios nos anos seguintes.

Anúncio publicitário histórico da empresa

Na década de 40, a empresa já tinha a denominação de Indústria e Comércio de Instrumentos Musicais e Cordas Di Giorgio Ltda. Foi quando a fábrica ganhou instalações na Rua Voluntários da Pátria, no bairro do Santana. Era a época das serestas e a cultura do violão crescia no Brasil, favorecendo as vendas da Di Giorgio.

No final da década de 50, a empresa tinha 20 funcionários, entre eles o jovem Reinaldo Proetti, que Romeu resolveu “adotar”, após a morte de seu único filho.

O sucesso com a Bossa Nova

Nos anos 60 veio a Bossa Nova e, naquela época, os negócios cresceram ainda mais. O grupo já era presidido por Reinaldo, que decidiu que a empresa se dedicaria exclusivamente à fabricação de violões. Assim, passaram a ser produzidos 1.000 violões da marca por mês.

Grandes nomes da música brasileira tocaram em um violão Di Giorgio, como Roberto Carlos, Dorival Caymmi, João Gilberto e Tom Jobim

Apesar de decisiva para o crescimento dos negócios, a mudança trouxe desafios logísticos, já que nos anos seguintes a enorme demanda pelos violões resultou em um crescimento desordenado da empresa.

Havia pontos de fabricação espalhados em diferentes localidades de São Paulo, e produção de até 150 violões por dia, sem estrutura adequada para isso.

Para solucionar esses problemas, em 1985 foi inaugurada uma fábrica em Franco da Rocha, com 20 mil metros quadrados, 200 funcionários, e capacidade de produzir 6 mil violões por mês.

O ano de 1985 marcou também a morte de Reinaldo Proetti e quem assumiu os negócios foi seu filho, Reinaldo Proetti Júnior, representando a terceira geração da família.

Catálogo da empresa

Com a produção concentrada em Franco da Rocha, a empresa passou a investir em tecnologia nos anos seguintes, quando Reinaldo Neto também passou a trabalhar na Di Giorgio. Em 2007, pouco antes do centenário da empresa, ele trouxe novos equipamentos de marcenaria da Alemanha.

Em 2019, a Di Giorgio entrou com pedido de recuperação judicial, visando ganhar fôlego para a reestruturação da empresa. A fabricação migrou para a Ásia e algumas linhas de produtos sofreram adaptações.

Selo interno de violão da década de 1991

Gerações de músicos tocaram um Di Giorgio

A Di Giorgio marcou gerações inteiras de músicos brasileiros, que guardam lembranças relacionadas a um instrumento da marca. É o caso de Márcio Rocha, 54 anos, músico nascido em São Roque e radicado em Araraquara, ambos municípios do interior de São Paulo.

Músico Márcio Rochateve um violão modelo Signorina

Ele teve um violão Di Giorgio modelo Signorina modelo 1977, que conseguiu trocando por um bolsa de couro tiracolo, em 1985. “Com esse violão eu viajei e toquei pelo sul de Minas, quando estudava Biologia em Alfenas. Foi com ele que conheci Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e tantos outros”, conta.

O violão acabou vendido em uma época de crise, pouco antes de Márcio se mudar para Araraquara. “Infelizmente, tive que vender meu querido companheiro, mas até hoje me arrependo. Nunca encontrei um violão tão bom quanto aquele. Era belíssimo, tinha a mão decorada com marchetaria e um som maravilhoso. Deixou ótimas lembranças”.

Esse tipo de memória afetiva se deve ao esforço de Romeu Di Giorgio, mais um entre tantos imigrantes italianos que venceram trabalhando em sua nova terra.

Por Roberto Schiavon/Italianismo
Crédito das fotos: Site da empresa/Reprodução

200

Deixa o seu comentário:

Publicidade

Série

Rádio e TV italiana

Siga o Italianismo

Destaques do editor

Herança italiana

O imigrante italiano Zeffiro Orsi transformou um pequeno pastifício em uma das marcas mais conhecidas do Brasil

Herança italiana

O imigrante italiano Giovanni Galzerano fundou em 1960 uma das principais marcas de carrinhos para bebês do país

Herança italiana

O casal Domenico e Giuseppina veio da Itália e se estabeleceu em Belo Horizonte para fundar uma indústria milionária de massas

Herança italiana

Família Nigro veio da Itália para o interior de São Paulo e revolucionou a fabricação de utensílios de cozinha no país

Herança italiana

O italiano Luigino Burigotto fundou no Brasil uma fábrica de carrinhos para bebês que se tornou referência no mercado nacional

Herança italiana

Massimo Leonardo Define chegou jovem ao Brasil e marcou época como grande esportista e revolucionário na indústria agropecuária

Herança italiana

Filho de italianos, João Carlos Di Genio fundou o Colégio Objetivo e a Unip e se tornou um dos maiores empresários brasileiros

Herança italiana

Pietro Morganti veio da Itália no século 19 e estabeleceu no Brasil a Usina Tamoio, a maior indústria sucroalcooleira da América do Sul

Herança italiana

A família de imigrantes italianos construiu no Brasil uma empresa que se tornou referência na indústria do agronegócio

Herança italiana

O imigrante italiano Giuseppe Todeschini fundou a fábrica de massas e biscoitos que conquistou milhares de brasileiros

Herança italiana

O empresário Alberto Bonfiglioli se uniu a outras famílias italianas e criou uma das marcas mais queridas dos brasileiros

Herança italiana

O siciliano Angelo Del Vecchio veio para o Brasil e passou a fabricar violões amados por várias gerações de músicos