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Aleixo Falci e seu legado centenário em Belo Horizonte

Inaugurada em 1908 por uma família de imigrantes italianos, a Casa Falci ajudou a erguer alguns dos principais monumentos históricos da capital mineira

casa falci
Falci e seu legado centenário em Belo Horizonte

O italiano Aleixo Falci chegou ao Brasil no final do século 19 e se instalou em Belo Horizonte. Lá inaugurou uma loja de ferragens, hoje a Casa Falci, com 113 anos de história.

Tudo começou quando Aleixo Falci, sua esposa Giovanna Falci e o filho Antônio Falci, de apenas 3 anos, desembarcaram no Porto do Rio de Janeiro, em 11 de junho de 1890.

A família vinha da pequena cidade de Torraca, na província de Salerno, região da Campania, tentar uma vida melhor no Brasil, assim como milhares de imigrantes da Itália faziam naquela mesma época.

Fachada da antiga loja

Aleixo Falci rumo à nova capital

No Rio de Janeiro, Aleixo chegou a montar uma casa de ferragens, mas ficou sabendo das obras de construção da capital de Minas Gerais. Por esse motivo, deixou a loja na capital fluminense aos cuidados do filho.

Em Belo Horizonte, montou uma loja de ferragens e materiais de construção na avenida Afonso Pena, 529. A loja, que se chamava Casa La Bella Venezia, começou vendendo bem, acompanhando o crescimento da cidade.

Sendo assim, Aleixo decidiu chamar seu filho Antônio para ajudá-lo nas vendas. Os negócios se expandiram e, em 1911, a empresa mudou a razão social para Aleixo Falci & Filho.

No ano de 1914, Antônio Falci comprou a empresa do pai e mudou o nome da loja para Casa América. Mais tarde, em 1922, a empresa passaria a se chamar Casa Falci.

A empresa se mantém na família por cinco gerações

Importação direto da Europa

Um dos segredos do sucesso do empreendimento foi a ideia de Antônio de importar materiais de ferragens diretamente das indústrias inglesas, americanas, suecas e alemãs. Antes disso, esses materiais eram conseguidos em Belo Horizonte somente por meio de grandes casas do ramo, no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Antônio Falci também foi pioneiro no ramo de turismo na nova capital mineira, representando a Navegazione Generale Italiana e a Colulich Line, promovendo o intercâmbio turístico com a Europa Mediterrânea.

Voltando à Casa Falci, a família de imigrantes italianos transformou sua loja de ferragens em um verdadeiro shopping center no ramo de materiais de construção. Isso em uma época em que a cidade onde se instalaram estava em franca expansão.

Empresa ajudou a construir BH

A empresa fundada por Aleixo Falci fincou bandeira nos principais marcos da construção de Belo Horizonte, como o Pirulito da Praça Sete, o prédio da Rede Ferroviária Federal, a Praça da Estação, o Grande Hotel de Araxá e a Casa de Repouso do governador Arthur Bernardes. Também forneceu material para construção do Conjunto Arquitetônico da Pampulha.

O Conjunto Arquitetônico da Pampulha tem a marca da Casa Falci

Os primeiros grandes clientes da Casa Falci, na década de 1940, foram o Governo do Estado de Minas Gerais, a Cia. Belgo Mineira, a Mineração Morro Velho e a Cia. Força e Luz.

A terceira geração começou na empresa ainda na década de 1930, mais precisamente em 1936, na figura do engenheiro Renato Falci, filho de Antônio e neto de Aleixo Falci.

Renato foi responsável por dar forte impulso comercial ao empreendimento e, sobretudo, por proteger a Casa Falci como empresa orientada à comunidade, estimulando ações de classe. Ele foi fundador da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH).

Bruno Falci está no comando da empresa desde 1993

Legado familiar no comércio

Renato Falci também foi presidente da Associação Comercial, da Junta Comercial do Estado, criou o Centro de Estudos Econômicos e foi um dos primeiros acionistas da Usiminas.

Desde 1993 a empresa é comandada por Bruno Falci, filho de Renato, representante da quarta geração da empresa. Seu filho Lucas, 28 anos, também trabalha na Casa Falci.

Em fevereiro de 2020, Bruno Falci assumiu a presidência da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, mesmo cargo que um dia foi ocupado por seu pai.

São os ecos do trabalho de cinco gerações daquela família de italianos comandada por Aleixo Falci, que chegou ao Brasil no final do século 19, com pouco dinheiro, mas muita vontade de prosperar em sua nova terra.

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