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História de imigrante: Francesco Matarazzo, o “imperador do Brasil”

Francesco Matarazzo
Fabricante de fábricas, Francesco Matarazzo cresceu nas crises e ajudou a construir o capitalismo brasileiro

Fabricante de fábricas, italiano cresceu nas crises e ajudou a construir o capitalismo brasileiro

Empresário italiano radicado no Brasil, Francesco Matarazzo deixou sua marca na história por ter fundado o maior complexo industrial da América Latina. Quando morreu, aos 83 anos, ele deixou uma fortuna avaliada em cerca de US$ 10 bilhões.

Nascido em Castellabate, na província de Salerno, ele chegou ao Brasil em 1881, aos 27 anos.


Bendita Cidadania


Bendita Cidadania

Ao contrário do que muitos dizem, Matarazzo desembarcou em Santos com uma condição diferente de seus conterrâneos, que vinham fugidos da fome, e em busca de uma vida melhor.

A família de Francesco Matarazzo, na Itália, era rica.


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Sua história vencedora em território brasileiro começa, de fato, em 1883 em Sorocaba, cidade do interior paulista, que na época tinha pouco mais de 13 mil habitantes.

Lá, ele abriu um armazém de secos e molhados, na sua própria casa. Sua primeira fábrica contava com uma prensa de madeira e um grande tacho de metal. O artefato era usado para produzir banha de porco em lata, afinal, era o produto necessário para a cozinha naquela época.

Ele próprio, no lombo de uma mula, percorria o interior de São Paulo em busca de porcos e para vender a banha que produzia.

Visão de negócio

Naquela época, boa parte da banha era importada dos Estados Unidos e vinha em barricas de madeira, que muitas vezes deixavam o conteúdo estragar.

Ao usar embalagens de metal, Matarazzo aumentava a durabilidade do produto e permitia que os consumidores comprassem quantidades menores, evitando o desperdício.

O sucesso fez que alguns dos irmãos de Matarazzo também desembarcassem no Brasil anos depois.

Matarazzo pensou em voltar para a Itália, mas os amigos italianos o convenceram que São Paulo seria a melhor opção.

Afinal, a capital era para onde estavam indo os vultuosos lucros do café. A cidade não tinha mais do que 65 mil pessoas quando ele chegou, em 1890. 

Seu nome era trabalho

Começava o império de Francesco Matarazzo. Na capital financeira do Brasil, ele chegou a ter mais de 200 fábricas, que juntas, faturavam mais do que a produção individual de todos os estados brasileiros, com a exceção de São Paulo.

Sua paixão era visitar ao menos uma de suas instalações por dia, hábito que manteve até passar dos 80 anos.

Ele acordava por volta de 4 da madrugada e continuava a trabalhar até a noite.

Em São Paulo, Matarazzo tornou-se o maior maior vendedor de farinha de trigo – importada dos Estados Unidos –, mas sem negar as origens. Ele manteve as lucrativas fábricas de banha: a de Sorocaba e outra em Porto Alegre.

Os números das Indústrias Matarazzo

Segundo historiadores, Francesco Matarazzo acumulou um patrimônio que o colocaria confortavelmente entre os dez homens mais ricos do mundo, e o maior do Brasil.

As Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo, as IRFM, chegaram a empregar mais de 30 mil pessoas, número que pouquíssimas empresas privadas atingem no Brasil de hoje.

Apesar de ser um dos homens mais poderosos de sua época, Matarazzo era simpático e não gostava de ostentações.

Em 1924, em Nápoles, o conde deu provas disso ao encomendar um terno na sua alfaiataria preferida.

O alfaiate estranhou, dizendo que um filho do industrial havia passado lá mais cedo e mandado fazer não um, mas seis trajes. Matarazzo não titubeou: “Ele tem pai rico, eu não”.

Ao morrer, o empresário deixou a viúva Filomena, 11 filhos e mais de 30 netos e de dez bisnetos. A grande família do patriarca é parte da explicação de como um complexo industrial dos maiores já vistos no mundo pôde desaparecer.

Francesco Matarazzo jamais se naturalizou, mas sempre que podia, elogiava o país que o acolheu. O empresário ganhou o título de Conde do Reino da Itália – e passou a ser chamado assim também no Brasil.

Ele morreu em 1937, vítima de falência renal, às vésperas de completar 83 anos.

O declínio do império

Como um império empresarial pode ruir? De acordo com análises feitas ao longo do tempo, a má administração dos negócios da família e conflitos familiares foram os faotores determinantes.

A falta de dinamismo para a crescente concorrência nacional e multinacional também contribuiu.

Apesar disso, algumas empresas do grupo resistiram até 1983, até entrarem em concordata. Iniciando o desmanche final do império, que incluiu venda de bens, disputas familiares, ações trabalhistas e arrendamento de fábricas.

10 fatos sobre Francesco Matarazzo
  1. Ao desembarcar no Brasil, ele viu naufragar as duas toneladas de banha de porco que havia trazido para iniciar uma atividade comercial no país.
  2. Matarazzo foi fundador da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).
  3. Ele foi o doador do terreno, onde até hoje fica sua sede do clube Palestra Itália (o atual Palmeiras).
  4. Matarazzo era uma verdadeira atração turística: os pais levavam os filhos para ver o empresário sair de carro – ou passear na calçada fumando seu charuto. 
  5. Ele jamais aprendeu a falar claramente o português, e se expressava no melhor estilo macarrônico.
  6. Matarazzo contribuiu com muito dinheiro para o regime facista de Mussolini. O conde não escondia sua admiração pela figura do ditador, pela sua visão de mundo e pulso firme.
  7. Ele nunca conseguiu superar a tragédia do filho morto em um acidente de carro em Turim.
  8. Foi o primeiro presidente do Banco Italiano do Brasil, cujo objetivo principal era fazer remessas de dinheiro para a Itália, realizadas por italianos que trabalhavam no Brasil.
  9. A importância de Matarazzo na economia do Brasil só é comparável à que teve o visconde de Mauá no Segundo Reinado do Império brasileiro (1822-1889).
  10. Cerca de 100 mil pessoas saíram às ruas para se despedir no dia do seu sepultamento.
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