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Gastronomia

Manga aos pés do Etna: frutas tropicais avançam na Itália

Mudanças no clima e invernos mais amenos estão transformando a agricultura do sul do país, com plantações de manga, abacate e outras espécies antes consideradas exóticas.

Mangas produzidas na Sicília, onde o cultivo de frutas tropicais vem ganhando espaço nos últimos anos.
Mangas produzidas na Sicília, onde o cultivo de frutas tropicais vem ganhando espaço nos últimos anos.

A paisagem agrícola da Sicília, no sul da Itália está mudando. Ao lado de vinhedos, oliveiras e pomares de cítricos, frutas que até pouco tempo pareciam improváveis em território italiano ganham espaço. Manga, abacate, banana, mamão e maracujá já fazem parte da produção da ilha.

A transformação é particularmente visível na região do Etna, onde o microclima favorece o cultivo de manga e abacate. Outras áreas da Sicília, como a costa da província de Messina e zonas próximas ao mar na região de Palermo, também vêm recebendo plantações tropicais.

Bendita Cidadania, analise de cidadania italiana

Segundo levantamento da Coldiretti, as culturas de frutas tropicais já superam 1.200 hectares na Itália, concentradas principalmente na Sicília, Puglia e Calábria. A Sicília ocupa posição de destaque, com diferentes variedades de manga e abacate cultivadas sobretudo entre Messina, Etna e Acireale.

De julho a novembro

A manga italiana deixou de ser apenas uma experiência de pequenos produtores.

Em Marina di Caronia, na costa da província de Messina, agricultores começaram a apostar seriamente na fruta há cerca de dez anos, inclusive recuperando áreas anteriormente ocupadas por pomares de cítricos que estavam abandonados.

A colheita de 2026 já começou. Cinco variedades cultivadas na região permitem colocar frutas no mercado entre julho e novembro, segundo reportagem da Rai.

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Uma das vantagens comerciais está na proximidade do consumidor europeu. Diferentemente da manga importada de outros continentes, que precisa suportar longos períodos de transporte, a fruta siciliana pode amadurecer por mais tempo na planta antes de chegar ao mercado.

A produção ganhou tamanho suficiente para criar até um problema inesperado. Em Balestrate, na província de Palermo, agricultores relataram em julho uma onda de furtos de manga nas plantações. Produtores instalaram câmeras e alarmes e alguns chegaram a passar as noites nos campos para proteger a colheita.

Uma Sicília cada vez mais tropical

A manga é apenas a parte mais visível de uma transformação maior.

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Além de manga e abacate, agricultores sicilianos já cultivam mamão, maracujá, goiaba, pitaya e zapote-negro. Há também experiências com café e produção de bananas.

A Rai estima em mais de 1.200 hectares a área destinada às culturas tropicais somente na Sicília. Invernos mais amenos e a menor ocorrência de geadas estão entre os fatores que permitem a expansão de espécies sensíveis ao frio.

O fenômeno também aparece em outras partes do sul da Itália. Na Puglia, produtores investem em abacate, manga, lime e outras culturas, enquanto na Calábria há plantações de manga, abacate, maracujá, macadâmia e annona.

O outro lado da mudança

A expansão das frutas tropicais, porém, não significa que o aquecimento seja uma boa notícia para a agricultura italiana.

O mesmo aumento das temperaturas que abre espaço para determinadas culturas provoca perdas em lavouras tradicionais, aumenta a necessidade de irrigação e agrava os efeitos da seca.

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Em agosto, a Coldiretti alertou para redução da produção de diferentes frutas e hortaliças em razão das altas temperaturas. Dados citados pela entidade mostram ainda que a Itália perdeu 38 mil hectares destinados à fruticultura entre os censos agrícolas de 2010 e 2020.

Na Sicília, o calor e as mudanças no regime de chuvas também pressionam culturas tradicionais. Em agosto, produtores e sindicatos já discutiam a necessidade de apoiar a reconversão de áreas agrícolas para espécies mais adaptadas às novas condições climáticas, citando justamente manga e abacate.

A imagem de mangas amadurecendo perto do Etna, portanto, é mais do que uma curiosidade gastronômica. É também um retrato de como o clima começa a redesenhar o mapa da agricultura italiana.

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