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Clima esquenta em audiência da reforma da cidadania italiana

Discussão acalorada na audiência da reforma da cidadania italiana

reforma da cidadania italiana
Discussão acalorada na audiência da reforma da cidadania italiana: deputado Roberto Lorenzato aumenta o tom contra partidos de esquerda | Fotos: Reprodução

Bate boca, muitas provocações e muita discussão. Assim foi a reunião realizada na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, em Roma, nesta quarta-feira (15).

O grupo debate uma possível mudança na lei da Cidadania Italiana, criada em 5 de fevereiro de 1992.

As novas regras, com texto unificado, foram sugeridas pelos deputados Matteo Orfini, Laura Boldrini e Francesca La Marca (ambos do Partido Democrático), Renata Polverini e Fucsia Nissoli (ambas do Força Itália), Eugenio Sangregorio (USEI) e Elisa Siragusa (Movimento 5 Estrelas).

Entre as mudanças está a limitação geracional. Na proposta de Siragusa, apenas netos e filhos de italianos teriam o direito à cidadania italiana. Se aprovada, a nova lei afetaria milhões de ítalo-descendentes.

E foi justamente esse tema que enfureceu o deputado Roberto Lorenzato, do partido Liga. “Vocês da esquerda tentam sempre tocar em nós, de forma incidental, que também somos italianos. Vocês são ignorantes”, disse o parlamentar se dirigindo à deputada Boldrini, do partido de esquerda.

“A senhora não é italiana porque nasceu no território italiano, mas porque o seu antepassado viveu na época de 1865, quando foi instituído nesta casa o Código Civil Italiano. Você é como eu, uma cidadã italiana de terça ou quarta geração”, falou Lorenzato.

Nem sequer o Leonardo da Vinci era italiano, pois na época ele nasceu no Granducato da Toscana. A Itália nasce em 1871″, lembrou ele.

Em outro momento, o parlamentar ítalo-brasileiro citou o acolhimento dado aos imigrantes italianos. “Quando milhões de camponeses fugiram da guerra para o Brasil, esses foram acolhidos de braços abertos. O Brasil criou uma lei mútua onde qualquer brasileiro poderia ter acesso a cuidados sanitários gratuitos na Itália”.

Lorenzato atacou ainda os consulados no Brasil. “A máfia italiana em São Paulo e no Rio de Janeiro criou um monstro jurídico, a ‘lista de espera Italiana’, que não existe em nenhum outro país. Vocês deram uma orientação para a Advocacia do Estado italiano para negligenciar o próprio povo. Vocês dizem que somos (partido da direita italiana) contra os imigrantes, mas vocês são contra os próprios filhos. Vocês são de baixíssimo nível”, esbravejou o deputado.

Em certos momentos, a presidência da sessão precisou acalmar os nervos. O ponto mais alto foi quando ele comparou a a invasão dos Savoia em Roma com a invasão da Rússia, de Vladimir Putin, na Ucrânia, o que gerou um grande alvoroço na sala.

Por fim, o deputado Lorenzato desafiou os colegas. “Se vocês tiverem esse poder, mudem então a lei com a ajuda dos seus colegas jurídicos. Ressalto que se esta casa mudar a lei, 32 milhões de brasileiros que são italianos não perdem a cidadania”, concluiu.

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