O estilista Alessandro Michele afirmou que o movimento woke perdeu a força política que teve nos últimos anos e foi absorvido pela indústria da moda como marketing. Segundo ele, causas urgentes e sinceras se transformaram em slogans vazios, e o medo de perder dinheiro passou a guiar as escolhas do setor. O criador defende que moda e política são peças do mesmo quebra-cabeça, informou o jornal La Repubblica, nesta sexta-feira (9).
Michele construiu sua carreira sobre a ideia de moda inclusiva. Foi diretor criativo da Gucci, uma das maiores grifes italianas, e hoje comanda a Valentino. Na Gucci, levou à passarela um peplo bordado com o sistema reprodutor feminino enquanto se discutia o aborto. Na Valentino, dedicou uma coleção a um texto de Pier Paolo Pasolini. Para o leitor brasileiro, são gestos que misturam criação de roupas e debate público.
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Na entrevista, o estilista diz que o woke teve sentido como tomada de consciência coletiva, mas foi esvaziado quando virou operação comercial. Ele critica a tendência de ficar na superfície para evitar riscos e cita a ideia, atribuída às feministas, de que os direitos dizem respeito a todos. “A beleza é um fato político”, afirmou, ao defender que ela seja garantida a todas as pessoas.
Michele lembra que escolheu a modelo trans Hari Nef para um perfume da Gucci e foi duramente criticado na época, algo que hoje considera normalizado.
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