A coleta de assinaturas para tentar levar a referendo pontos da reforma da cidadania italiana provocou um debate intenso entre leitores do Italianismo.
Nos comentários publicados no portal e nas redes sociais, aparecem dúvidas principalmente sobre a estratégia adotada, a obtenção das 500 mil assinaturas e a capacidade de mobilizar o eleitorado italiano caso a consulta popular chegue às urnas.
As manifestações não representam uma pesquisa de opinião e não permitem concluir qual é a posição predominante entre italianos ou descendentes. Mas revelam preocupações que estão presentes entre pessoas diretamente interessadas na cidadania iure sanguinis.
“Estratégia? Não há. O que existe é um frenesi repentino a respeito das 500 mil assinaturas, sem prévia mobilização para preparar a comunidade”, escreveu um leitor identificado como owncolt.
Ele também afirmou considerar que a iniciativa não teria avaliado suficientemente os riscos políticos de uma consulta popular.
Outra leitora, anninacsb, manifestou preocupação semelhante.
“Se coletarem as assinaturas, os eleitores italianos irão massacrar a causa. Se não coletarem, os políticos terão o argumento de que não estamos ‘nem aí’”, escreveu.
A afirmação representa uma avaliação da leitora. Não há, nos comentários analisados, pesquisa eleitoral que permita antecipar como votariam os eleitores italianos em um eventual referendo.
“É um tiro no pé”
A expressão apareceu mais de uma vez entre os comentários recebidos pelo Italianismo.
“Antes de haver respostas definitivas dos tribunais, esse referendo é um tiro no pé”, escreveu o leitor JICXJO.
Outro participante, identificado como Luis, manifestou avaliação semelhante e argumentou que parte da população italiana poderia não compreender as reivindicações dos descendentes que vivem no exterior.
Comentários publicados no Instagram e Facebook também demonstram pessimismo sobre uma eventual consulta.
“Esse referendo vai jogar abaixo todas as esperanças. Não vai conseguir as assinaturas necessárias”, escreveu thimazetto.
O mesmo leitor acrescentou que, mesmo se a coleta atingir o número exigido, acredita que haverá dificuldade para convencer os eleitores residentes na Itália.
Quorum também preocupa
Outra leitora chamou atenção diretamente para o obstáculo representado pelo quorum.
“Mesmo se conseguirem as firmas, difícil chegar ao quorum de 50+1 e, se chegar, vai ser pelo não”, escreveu rita_cesi_.
O comentário reúne duas questões diferentes.
A primeira é objetiva: um referendo abrogativo italiano precisa atingir o quorum previsto pela Constituição para produzir efeito.
A segunda, sobre qual seria o resultado da votação, é uma expectativa da leitora e não pode ser antecipada sem dados eleitorais específicos.
Há quem defenda cidadania sem limite, mas com exigências
Nem todas as manifestações questionam apenas o mecanismo do referendo.
“Sinceramente eu acho que não haveria de ter limites para o reconhecimento ius sanguinis, desde que o interessado aprendesse italiano e manifestasse o mínimo conhecimento sobre a história e a sociedade italiana”, escreveu o leitor milani9059.
Além das discussões estratégicas, a campanha também despertou dúvidas práticas.
“Como vou fazer se eu não tenho a CIE?”, perguntou o leitor fulviomorandin.
A questão é relevante principalmente para cidadãos italianos que vivem no exterior e ainda não possuem a Carta d’Identità Elettronica.
A plataforma oficial aceita diferentes sistemas de identificação digital previstos para acesso aos serviços públicos italianos. O Italianismo recomenda verificar diretamente na plataforma do Ministério da Justiça quais credenciais estão disponíveis para cada eleitor antes de iniciar o procedimento.
Esperar os tribunais ou buscar outra frente?
Parte da resistência demonstrada pelos leitores está relacionada ao momento escolhido para lançar a iniciativa.
Há processos judiciais ainda em andamento envolvendo as mudanças introduzidas na cidadania italiana, inclusive questões que chegaram à Corte Constitucional e à Justiça europeia.
Por isso, alguns leitores consideram que iniciar uma campanha referendária antes do encerramento dessas discussões pode representar um risco estratégico.
Os defensores da iniciativa adotam outra posição. Para eles, a mobilização popular constitui uma frente independente e pode aumentar a pressão para rever as restrições impostas à cidadania por descendência.
Essa divergência também apareceu em discussões de grupos ligados ao tema, nas quais participantes defenderam que ninguém deveria ser considerado contrário aos direitos dos italianos no exterior simplesmente por discordar da estratégia referendária.
Debate vai além do “sim” e do “não”
Os comentários recebidos pelo Italianismo indicam que o debate não se limita ao conteúdo da reforma.
Também estão em discussão o momento escolhido, a capacidade de mobilização, o relacionamento entre descendentes e eleitores residentes na Itália e as possíveis consequências políticas da consulta.
Por enquanto, a etapa em andamento é a coleta de assinaturas. Os eleitores não estão votando no referendo neste momento.
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Concordo com as manifestações de que essa propostas possa gerar efeitos não desejados como consequência, a prudência recomenda aguardar o julgamento da Corte de Justiça Europeia, e a incidência do teor do julgamento na Corte Constitucional Italiana, ponderabilidade é o adequado para esse momento jurídico.