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Cotidiano

Brasileira humilhada em restaurante na Itália tem seletividade alimentar, revela mãe

Mãe de brasileira alvo de comanda ofensiva em Riccione revela que filha tem seletividade alimentar. Caso repercute nos principais jornais da Itália.

Caso da comanda com “cuspe” ganha novo capítulo: jovem tem seletividade alimentar, diz a mãe Amanda Duarte | Foto: Facebook
Caso da comanda com “cuspe” ganha novo capítulo: jovem tem seletividade alimentar, diz a mãe Amanda Duarte | Foto: Facebook

O caso da brasileira que recebeu uma comanda mandando “queimar” seus ovos e cuspir neles em um restaurante de Riccione, na região central da Itália, ganhou um novo elemento. A mãe da jovem, Amanda Duarte, contou ao Italianismo que a filha, Maria Clara, tem seletividade alimentar desde a infância.

Segundo Amanda, que reside em Florença, a dificuldade da filha com determinados alimentos explica por que ela pediu apenas que os ovos fossem bem passados e servidos sem salada.

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“Pra quem não nos conhece, a Maria Clara tem seletividade com comida. Desde criança ela tem dificuldade de comer de tudo”, afirmou.

A mãe disse ainda que a família mora há anos na Itália e nunca havia passado por situação semelhante.

“Moramos na Itália há anos e nunca sofremos esse tipo de abuso e exposição”, disse Amanda ao Italianismo.

Maria Clara e a mãe: a família vive na Florença, na Toscana | Foto: Facebook
Maria Clara e a mãe: a família vive na Florença, na Toscana | Foto: Facebook

O episódio ocorreu no Victor Lab, na viale Ceccarini, uma das ruas mais conhecidas de Riccione. Maria Clara, de 20 anos, estava tomando café da manhã com a mãe e a tia quando pediu ovos bem passados e sem salada.

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Na comanda destinada à cozinha, o garçom escreveu uma mensagem ofensiva que acabou chegando à mesa da família: “Essa me encheu o saco. Queime os ovos e cuspa neles”, em tradução livre.

A mãe critica também parte das reações surgidas nas redes sociais, onde usuários chegaram a responsabilizar Maria Clara por ter pedido uma alteração no prato.

“É um absurdo os comentários de que uma pessoa merece ovos queimados e cuspidos só porque pediu bem passado e sem salada”, afirmou Amanda.

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Caso repercute em toda a Itália

O episódio deixou de ser apenas uma reclamação nas redes sociais e passou a ocupar espaço em alguns dos principais veículos de comunicação italianos.

O Corriere della Sera, por meio de sua edição de Bolonha, ouviu Maria Clara e relatou que a brasileira passou a receber insultos, ameaças e comentários racistas depois que a história se espalhou. A jovem afirmou ao jornal que havia feito o pedido de maneira educada e que não queria uma campanha pública contra o funcionário.

A la Repubblica também acompanhou o caso e noticiou posteriormente a reintegração do garçom ao restaurante. O funcionário, de 17 anos, ficou três dias suspenso antes de retornar ao trabalho.

O Il Resto del Carlino publicou diferentes reportagens sobre o episódio e informou que o proprietário do Victor Lab, Luciano Colono, decidiu dar uma segunda oportunidade ao adolescente.

O caso também chegou ao Fanpage, um dos maiores sites de notícias da Itália, e ao Tgcom24, do grupo Mediaset. Maria Clara chegou a participar de um programa de televisão italiano para falar sobre o ocorrido e confrontar a versão apresentada pelo proprietário do estabelecimento.

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Restaurante fez piada com o episódio

A reação do estabelecimento também ampliou a repercussão.

Depois de inicialmente pedir desculpas e afastar o funcionário, o Victor Lab publicou um vídeo nas redes sociais ironizando o caso. Na gravação, o próprio proprietário interpreta um cliente e faz referência a um prato servido “com cuspe” (veja o perfil aqui: https://www.instagram.com/victorlabriccione/).

Luciano Colono, dono do Victor Lab, em Riccione, ao lado da comanda com a mensagem ofensiva; depois do episódio, ele fez piada com o caso nas redes sociais | Foto: Reprodução
Luciano Colono, dono do Victor Lab, em Riccione, ao lado da comanda com a mensagem ofensiva; depois do episódio, ele fez piada com o caso nas redes sociais | Foto: Reprodução

O restaurante chegou ainda a perguntar aos seguidores se o garçom deveria ou não ser demitido. A atitude foi criticada por Maria Clara, que afirmou não querer uma exposição pública do adolescente, mas esperava um pedido de desculpas e uma postura mais séria do estabelecimento.

O funcionário acabou reintegrado depois de três dias.

Para Amanda, porém, a questão vai além da permanência ou não do garçom no emprego.

A mãe afirma esperar que a repercussão sirva para chamar atenção para a forma como clientes são tratados, especialmente quando fazem pedidos relacionados às próprias dificuldades alimentares.

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“Espero que continue circulando e mais pessoas deixem de frequentar esse local com tamanho desrespeito, falta de higiene e falta de empatia pelo cliente”, afirmou.

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11 Comentários

1 Comentário

  1. João Roberto Di Napoli

    “Seletividade alimentar!!!” Semântica refinada para “frescura!”

    1. José Jr

      Tem gente q passa mal com ovos mal passados, algumas pessoas têm ânsia de vômito. Mesmo que a cliente fosse “fresca” não justifica cuspir na comida. Desrespeito à comida, ao dinheiro, e às pessoas que passam fome.

      1. João Roberto Di Napoli

        Continua sendo “frescura”, “seletividade alimentar”, diga isso em comunidades carentes, onde não se tem o que comer, mesmo que necessite!

        1. Álvaro

          Frescura ou não. Ela é cliente e tem o direito de pedir o prato dela com alterações. É uma prática normal que restaurantes sérios já são acostumados a fazer.

        2. Nice Oliveira Vicentini

          Nós podemos ser frescos, se estamos pagando temos direito de comer o que queremos, atendimento de primeira nunca foi o forte da Itália. Que ridículo esse seu comentário quer dizer que porque não gosto de carne mal passada sou obrigada a comer porque alguém em algum lugar está passando fome, não se trata do que a pessoa quer ou não comer e de forma ela quer comer se trata da idoneidade do estabelecimento que pelo visto já isso é muito.

    2. Nice Oliveira Vicentini

      Nós podemos ser frescos, se estamos pagando temos direito de comer o que queremos, atendimento de primeira nunca foi o forte da Itália.

    3. Mariana Rodrigues Loureiro

      Frescura? Você é um frouxo. Eu também tenho seletividade alimentar. Isso não é frescura.

  2. Renata

    Seria a tal seletividade alimentar uma desordem de saúde ou frescura de criança que virou adulta?

  3. Jicxjo

    Nada justifica essa conduta do restaurante. Nenhuma argumentação cínica irá conseguir inverter os fatos, convencendo apenas a turma do déficit cognitivo, a cambada revoltadinha de sempre. Os mesmos que culpam as vítimas pelos estupros, que tratam pobres como loosers, que aplaudem “humor” discriminatório e que defendem a lei da selva, o direito do mais forte.

    Ignorem, pois, esses lacradores e trolls, que só querem causar, polemizar, e assim preencherem o vazio de suas vidinhas medíocres, ostentar sua falta de ética e mesmo da mais comezinha moral, ganhando pela escandalização fuleira um palco que jamais teriam por mérito, por competência, por talento.

  4. Patricia Pascoalato-Fothergill

    A pessoas tambem pode estar no espectro autista e por isso da seletividade alimentar. Nao podemos julgar ninguem e Temos qué Ter mais empatia.

  5. m

    O contraditório é que a Maria “Clara” pediu a Gema bruciata e queimou a rosca do cuoco.

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