O ex-tesoureiro nacional do PT João Vaccari Neto teria obtido a cidadania italiana e se mudado para a Itália em meio à repercussão de suspeitas envolvendo o Banco Master, instituição financeira controlada pelo empresário Daniel Vorcaro.
A informação sobre a mudança foi divulgada pelo jornalista Claudio Dantas em 16 de outubro. Segundo a publicação, Vaccari estaria vivendo no país europeu há aproximadamente três meses.
A obtenção da cidadania italiana e a transferência de residência ainda não foram confirmadas de forma independente pelo Italianismo. Também não há comprovação de que a suposta mudança tenha relação com as acusações divulgadas contra o ex-dirigente petista.
Suspeita de propina de R$ 1 bilhão
O nome de Vaccari apareceu em reportagens da revista Veja, publicadas em outubro, sobre relatos atribuídos a Daniel Vorcaro envolvendo a tentativa de captação de recursos de fundos de pensão para o Banco Master.
Segundo a publicação, Vorcaro teria relatado uma negociação com Vaccari envolvendo o pagamento de R$ 1 bilhão em propina para viabilizar operações de investimento que poderiam alcançar R$ 10 bilhões.
A suspeita ganhou repercussão por envolver o ex-tesoureiro do PT, que já havia sido condenado em processos relacionados à Operação Lava Jato.
As informações divulgadas, no entanto, não comprovam que Vaccari tenha recebido o dinheiro ou que a negociação tenha efetivamente ocorrido.
Também não há confirmação, nas fontes consultadas, de que ele tenha sido formalmente acusado pelo Ministério Público nesse episódio específico.
Polícia Federal questiona relatos
As acusações atribuídas a Vorcaro foram recebidas com reservas pelas autoridades brasileiras.
Segundo reportagens sobre o caso, a Polícia Federal informou que o empresário não prestou depoimento com o conteúdo divulgado pela imprensa. As tentativas de colaboração envolvendo as alegações também não resultaram na apresentação de provas consideradas suficientes para sustentar as acusações.
A ausência de comprovação é relevante porque diferencia relatos divulgados por veículos de comunicação de fatos formalmente demonstrados em uma investigação criminal.
Até o momento, não há confirmação pública de pagamento de R$ 1 bilhão a Vaccari.
Cidadania italiana e mudança para a Europa
A possível obtenção da cidadania italiana acrescenta um novo elemento à trajetória do ex-dirigente petista.
Caso a informação seja confirmada, Vaccari poderá residir legalmente na Itália na condição de cidadão italiano, sem depender de autorização migratória destinada a estrangeiros de países de fora da União Europeia.
O reconhecimento da cidadania italiana, por si só, não representa irregularidade nem constitui evidência de tentativa de escapar da Justiça.
A dupla nacionalidade também não impede a cooperação entre autoridades brasileiras e italianas em eventuais investigações ou procedimentos judiciais.
A reportagem de Claudio Dantas não permite confirmar, com os elementos disponíveis ao Italianismo, quando Vaccari teria obtido a cidadania, por qual procedimento ocorreu o reconhecimento ou em qual cidade italiana estaria residindo.
Histórico na Lava Jato
João Vaccari Neto ocupou o cargo de tesoureiro nacional do PT e tornou-se um dos nomes envolvidos nas investigações da Operação Lava Jato.
Preso em 2015, ele foi condenado em processos relacionados a suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. Ao longo dos anos, também obteve decisões favoráveis em outros processos, incluindo absolvições.
Esse histórico não permite presumir responsabilidade pelas novas alegações relacionadas ao Banco Master, que precisam ser examinadas separadamente.
O que dizem os envolvidos
O PT contestou as acusações divulgadas a partir dos supostos relatos de Daniel Vorcaro e questionou a credibilidade das informações.
A Polícia Federal também negou ter recebido depoimento do empresário com o conteúdo apresentado nas reportagens.
Não foi localizada, nas fontes consultadas, manifestação específica da defesa de Vaccari sobre a suposta obtenção da cidadania italiana, a mudança de residência ou as alegações envolvendo o Banco Master.
Até que surjam documentos ou confirmações adicionais, a informação de que o ex-tesoureiro passou a viver na Itália permanece atribuída à reportagem de Claudio Dantas.
Fontes: Claudio Dantas e Veja.
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