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Crime

Influenciadora é presa suspeita de assumir tráfico ligado à máfia italiana após prisão do marido

Paula Simões Assisi é investigada por supostamente comandar remessas de cocaína para a Europa com a ajuda de um advogado; operação conjunta entre Brasil e Itália identificou vínculos com apreensões de 4,6 toneladas da droga.

Paula Simões Assisi foi presa durante operação contra o tráfico internacional de cocaína ligado à máfia italiana ’Ndrangheta | Foto: Reprodução/Instagram
Paula Simões Assisi foi presa durante operação contra o tráfico internacional de cocaína ligado à máfia italiana ’Ndrangheta | Foto: Reprodução/Instagram

A influenciadora digital Paula Simões Assisi, de 34 anos, foi presa sob suspeita de assumir parte das operações de tráfico internacional de cocaína ligadas à ’Ndrangheta, organização mafiosa originária da Calábria, no sul da Itália.

A prisão ocorreu em 17 de setembro, durante a Operação Eredità, deflagrada pela Polícia Federal brasileira em cooperação com autoridades italianas. O caso ganhou repercussão após reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, no domingo (11).

Bendita Cidadania, analise de cidadania italiana

Segundo os investigadores, Paula teria assumido responsabilidades no esquema após a prisão do marido, Patrick Assisi, e do sogro, Nicola Assisi, em julho de 2019. Os dois foram encontrados em Praia Grande, no litoral de São Paulo, e são apontados pelas autoridades como integrantes da máfia calabresa.

A investigação também atribui ao advogado Patrick Raasch Cardoso participação na organização de remessas de cocaína para a Europa.

Suspeita de continuidade dos negócios da máfia

As prisões de Nicola e Patrick Assisi, em 2019, não teriam interrompido as operações de tráfico.

Segundo as autoridades brasileiras e italianas, familiares e pessoas de confiança dos dois suspeitos assumiram contatos com fornecedores de drogas, operadores logísticos e responsáveis pela movimentação financeira.

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Paula estaria entre os integrantes dessa nova estrutura.

De acordo com a reportagem do Fantástico, uma conversa interceptada em italiano indicaria que a influenciadora negociou o envio de 400 quilos de cocaína para a Europa.

Outro investigado, Franklin Rodrigues de Oliveira, conhecido como BXX, é apontado pela polícia como responsável por remessas de drogas, pagamentos e contatos entre a organização italiana e grupos criminosos brasileiros.

Bendita Cidadania, analise de cidadania italiana

Segundo a investigação, a cocaína era embarcada pelo Porto de Paranaguá, no Paraná, escondida em contêineres de empresas sem envolvimento com as atividades criminosas.

Investigação identificou vínculos com 4,6 toneladas de cocaína

A Operação Eredità é resultado de uma investigação internacional sobre o envio de cocaína da América do Sul para diferentes países europeus.

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado apresenta indícios de ligação com pelo menos 11 apreensões realizadas entre 2019 e 2020, que totalizaram mais de 4,6 toneladas da droga.

Uma carga de aproximadamente 2,2 toneladas já estaria armazenada no Brasil quando Nicola e Patrick Assisi foram presos, em 2019.

De acordo com a agência italiana ANSA, os investigadores suspeitam que essa cocaína tenha sido posteriormente movimentada pelo grupo que assumiu as operações.

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A investigação também identificou uma estrutura financeira destinada a movimentar e ocultar recursos provenientes do tráfico internacional.

Operação reuniu policiais do Brasil e da Itália

Deflagrada em 17 de setembro, a Operação Eredità teve como objetivo desarticular uma organização criminosa formada por integrantes de grupos brasileiros e italianos.

A Polícia Federal anunciou o cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão, além de medidas de bloqueio de bens, imóveis, contas bancárias e aplicações financeiras.

A ação teve apoio de uma equipe conjunta de investigação formada por autoridades dos dois países entre 2020 e 2025.

Participaram da cooperação a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, no Brasil, e o Raggruppamento Operativo Speciale (ROS) dos Carabinieri e o Ministério Público de Turim, na Itália.

A operação também é um desdobramento das investigações Samba e Mafiusi, realizadas em dezembro de 2024, e de apurações anteriores identificadas como Retis e Spiderweb.

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O nome Eredità significa “herança” em italiano e faz referência à suspeita de que familiares e pessoas próximas dos integrantes presos em 2019 tenham assumido a continuidade das atividades criminosas.

’Ndrangheta tem origem na Calábria

A ’Ndrangheta é uma organização mafiosa originária da Calábria, região do extremo sul da Itália.

Com estrutura baseada principalmente em vínculos familiares, a organização expandiu sua atuação para outros países e consolidou conexões internacionais no tráfico de cocaína e na lavagem de dinheiro.

A investigação brasileira busca esclarecer como integrantes e pessoas próximas dessa estrutura teriam mantido as operações de envio de drogas para a Europa mesmo após as prisões de 2019.

Defesas negam acusações

A defesa de Paula Simões Assisi nega as acusações. Em manifestação divulgada pelo Fantástico, seus advogados afirmaram que nenhuma droga foi apreendida com a influenciadora e contestaram a interpretação dos investigadores sobre sua participação no esquema.

A defesa de Patrick Raasch Cardoso sustenta que ele sempre atuou dentro dos limites legais da advocacia e informou ter solicitado a revogação da prisão preventiva.

Os advogados de Franklin Rodrigues de Oliveira disseram que não comentariam as acusações naquele momento e que pretendem demonstrar sua inocência perante a Justiça.

Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder, conforme a responsabilidade individual apurada, por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

As acusações ainda dependem de análise judicial. As prisões preventivas não representam condenação.

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