A Veneza que Arrigo Cipriani conheceu desapareceu, engolida por bazares de quinquilharia e esvaziada de crianças. Aos 94 anos, o dono do lendário Harry’s Bar descreveu com melancolia uma cidade onde as calli eram corredores e os campos, salas de estar. Ele afirmou que os habitantes estão sendo expulsos e defendeu que grandes cérebros venham estudar e salvar Veneza, informou o jornal Corriere della Sera, nesta segunda-feira (28).
Cipriani é filho do criador do Harry’s Bar, um dos bares mais famosos do mundo, ponto de encontro histórico no centro de Veneza. Sua fala resume um debate antigo na cidade, entre a pressão do turismo de massa e a perda de moradores. Ele diz que sem venezianos, Veneza está morta.
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Os números que ele cita mostram a sangria. As crianças com menos de 10 anos na cidade histórica são 2.711. Os idosos com mais de 85 anos somam 3.566. Os menores de 14 anos representam 8,2% dos residentes, contra 12% na Itália. Há 1,07 leito turístico para cada morador. No próprio Harry’s Bar, com 80 funcionários, talvez um em cada dez seja veneziano.
O empresário reclama que é quase impossível achar moradia para os empregados, porque o aluguel de um quarto consome o salário. Ele critica o prefeito Luigi Brugnaro, que mora em Mogliano, e rejeita a taxa de entrada para turistas.
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