A mentalidade e a burocracia pesaram mais que o salário na decisão de Alessia Cocozza de deixar a Itália em 2009. Aos 46 anos, nascida em Varese, ela vive hoje em Santa Maria da Feira, em Portugal, com o companheiro espanhol de Pamplona. Os dois trabalham online como autônomos, com horários flexíveis. Ela é project manager de uma empresa austríaca de produtos biológicos, e ele é desenvolvedor, publicou o jornal Il Fatto Quotidiano, nesta sábado (10).
Cocozza morou quase vinte anos entre Espanha e Portugal. Ela diz que, na Itália, parte da geração dos pais não reconhece o trabalho quando ele não tem a forma conhecida, com documentos em papel e presença física numa escrivaninha. Chegou a ouvir de conhecidos como conseguia trabalhar sem faturas e papéis impressos. Até fevereiro, ela ainda tinha carteira de identidade de papel.
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Quando chegou à Espanha, em 2009, encontrou um sistema burocrático digitalizado, com tributos, saúde e declarações resolvidos pelo telefone. Em Portugal, achou mais etapas ligadas ao papel, mas ainda favoráveis ao autônomo. Trabalhou quase três anos com blockchain e diz ter visto aplicações concretas na Espanha. Na Itália, cita como exemplo quase isolado o uso do Hyperledger pela Poste Italiane. “A parte disso, é o deserto”, resume.
Nas entrevistas de emprego espanholas, conta, vinham primeiro competências e experiência.
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