As demissões voluntárias de médicos nos hospitais públicos da Itália subiram 150% em 2025 e, pela primeira vez, superaram as aposentadorias. Foram 3.767 pedidos de saída contra 2.876 aposentadorias, ante 1.503 demissões em 2024. A cada 100 médicos contratados por tempo indeterminado, 43 se demitem, e o saldo final de quem permanece é de apenas 23, segundo o jornal La Stampa, nesta sábado (3).
O levantamento é do centro de estudos do sindicato Anaao Assomed, que cruzou dados oficiais de 2015 a 2025. O secretário nacional, Pierino Di Silverio, fala em êxodo, não em rotatividade normal. Entre as causas, cita turnos exaustivos, salários fora do padrão europeu, burnout, excesso de burocracia e agressões nas enfermarias. Para o sindicato, ainda faltam cerca de 10 mil médicos nos hospitais italianos.
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A saída de médicos superou as aposentadorias em 12 das 20 regiões, com destaque para Lácio, Trentino-Alto Ádige, Friuli-Veneza Giulia e Sardenha. Quem deixa o cargo voluntariamente tem idade média de 48 anos, no auge da carreira. O caso símbolo é a medicina de emergência: foram preenchidos apenas 649 dos 985 contratos de especialização.
Os salários marcam a diferença com a Europa. Um médico italiano recebe cerca de 83 mil euros brutos por ano, contra quase 157 mil na Alemanha e cerca de 92 mil na Espanha.
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