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Cidadania

EXCLUSIVO: Filhos de Bolsonaro usaram linhagem da Toscana para obter cidadania italiana

Documento oficial revela que Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro recorreram ao ramo Bonturi, e não à família Bolzonaro, do Vêneto.

Olinda Bonturi Bolsonaro (ao centro), mãe de Jair Bolsonaro e avó de Flávio, Eduardo e Carlos, em encontro com a família. Filha dos italianos Guido Bonturi e Argentina Pardini, nascidos em Lucca, na Toscana | Foto: Reprodução
Olinda Bonturi Bolsonaro (ao centro), mãe de Jair Bolsonaro e avó de Flávio, Eduardo e Carlos, em encontro com a família. Filha dos italianos Guido Bonturi e Argentina Pardini, nascidos em Lucca, na Toscana | Foto: Reprodução

Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro obtiveram o reconhecimento da cidadania italiana por meio da linhagem dos Bonturi, de Lucca, na Toscana, e não pelo ramo dos Bolzonaro, de Anguillara Veneta, no Vêneto, como era especulado.

O Italianismo teve acesso a um documento oficial relacionado à ascendência familiar registrada em Lucca.

Bendita Cidadania, analise de cidadania italiana

A opção pelo ramo Bonturi teve motivação prática: o ascendente italiano dessa linhagem estava uma geração mais próximo dos requerentes, reduzindo a quantidade de registros necessários para demonstrar a cadeia familiar. O ramo Bolzonaro também apresentaria dificuldades adicionais de identificação nominal nos documentos, apurou o Italianismo.

Segundo uma fonte ouvida pelo portal, o objetivo era obter o reconhecimento da cidadania pela via documental mais simples, sem que uma homenagem à avó Olinda Bonturi tenha sido o motivo determinante na escolha do ramo.

A informação contrasta com a ênfase dada à origem vêneta em reportagens italianas publicadas nos últimos dias. O Corriere del Veneto destacou a ligação com Anguillara Veneta, enquanto o la Repubblica mencionou a ancestralidade vêneta. A origem vêneta da família é real, mas isso não determina qual linhagem foi usada para reconhecer a cidadania dos três irmãos.

Por que a linhagem de Lucca era mais simples

Guido Bonturi, nascido em Lucca em 24 de março de 1893, era avô materno de Jair Bolsonaro e bisavô de Flávio, Eduardo e Carlos. Já Vittorio Bolzonaro, nascido em Anguillara Veneta em 1878, era bisavô paterno de Jair e trisavô de seus filhos.

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Na linha Bonturi, a sequência passa de Guido para Olinda Bonturi, depois para Jair Bolsonaro e seus três filhos. Na linha Bolzonaro, seria necessário recuar mais uma geração, até Vittorio. Em geral, isso significa reunir mais uma etapa de certidões e verificar possíveis divergências entre nomes e registros.

A fonte relatou problemas de identificação nominal no ramo Bolzonaro. A genealogia disponível distingue Vittorio Bolzonaro, bisavô paterno de Jair, e Angelo Bolsonaro, avô paterno. As divergências nos registros poderiam exigir retificações documentais, embora não tenha sido possível identificar quais correções seriam necessárias.

Quem foi Guido Bonturi

Guido Sabatino Giovanni Bonturi nasceu em 24 de março de 1893, na cidade de Lucca, na Toscana. Segundo dados reunidos no FamilySearch, era filho de Maurizio Bonturi e Amalia Lenzi, que se casaram em Lucca em 9 de junho daquele ano.

Bendita Cidadania, analise de cidadania italiana

Emigrou para o Brasil e se estabeleceu em Campinas, no interior paulista. Em 17 de abril de 1915, casou-se com Argentina Pardini, também natural de Lucca, nascida em 1892.

Guido figura entre os fundadores do Campinas Futebol Clube, criado em 7 de setembro de 1929, na Vila Industrial, de acordo com levantamento do pesquisador Sérgio Mello no História do Futebol, baseado em referências a jornais antigos e pesquisas de Celso Franco.

Guido e Argentina formaram uma família numerosa. Entre os filhos identificados constam Rolando, Iolanda, Dino Bonturi Sobrinho, Armando, Haroldo, Olinda e Leonilda.

Argentina morreu em 1952 e Guido, em 1965, segundo os registros genealógicos disponíveis.

De Olinda aos três irmãos Bolsonaro

Olinda Bonturi, filha de Guido e Argentina, nasceu em 1927 e se casou com Percy Geraldo Bolsonaro. Foi mãe de Jair Messias Bolsonaro, nascido em 1955, e avó de Flávio, Eduardo e Carlos.

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Olinda morreu em janeiro de 2022, depois de os pedidos consulares terem sido iniciados, mas antes dos reconhecimentos.

Segundo a fonte, o ramo Bonturi foi preferido pela maior facilidade documental, e não por uma homenagem a Olinda. A linha materna de Jair alcançava diretamente os pais italianos de sua mãe; na linha paterna, o ascendente italiano identificado estava uma geração acima.

Genealogia já era conhecida desde 2018

A ascendência da família foi investigada pelo genealogista Daniel Taddone, em levantamento publicado em 2018.

A pesquisa identificou os Bonturi e Pardini, da Toscana, pelo lado materno de Jair Bolsonaro, e os Bolzonaro, do Vêneto, pelo lado paterno.

A origem dos antepassados em Lucca também foi noticiada pelo jornal italiano Il Tirreno, em outubro daquele ano.

A genealogia, portanto, não é inédita. A exclusividade relatada ao Italianismo diz respeito à linhagem utilizada nos reconhecimentos e à explicação documental para a escolha, atribuídas à fonte ligada aos procedimentos.

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Reconhecimentos em 2023 e 2024

Flávio e Eduardo Bolsonaro tiveram a cidadania italiana reconhecida em 2023. Carlos obteve o reconhecimento em 2024, conforme resposta parlamentar do governo italiano, de 8 de outubro de 2025.

O governo informou que os irmãos solicitaram ingresso na lista de espera da Embaixada da Itália em Brasília a partir de 2020 e que os reconhecimentos foram concluídos após a análise dos requisitos legais.

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