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Genealogia

Derrite era Di Rito: pesquisa revela as origens italianas do senador mais votado da história

Levantamento exclusivo identifica antepassados de Guilherme Derrite no Abruzzo, Vêneto, Emilia-Romagna e Lombardia e reconstrói a história do sobrenome que mudou ao longo das gerações.

Guilherme Derrite, eleito senador por São Paulo com votação recorde, tem antepassados identificados em diferentes regiões da Itália | Foto: Marina Ramos/Agência Câmara/Montagem Italianismo
Guilherme Derrite, eleito senador por São Paulo com votação recorde, tem antepassados identificados em diferentes regiões da Itália | Foto: Marina Ramos/Agência Câmara/Montagem Italianismo

Antes de se tornar o sobrenome do senador mais votado da história do Brasil, Derrite era Di Rito. A história começa em Cugnoli, uma pequena cidade do Abruzzo, na Itália, onde nasceu, em 1891, Emidio Di Rito, bisavô paterno de Guilherme Muraro Derrite (PP).

Mais de um século depois, uma pesquisa realizada com a colaboração do genealogista, Daniel Taddone, que já investigou as origens familiares de personalidades como Ayrton Senna e Jair Bolsonaro, recuperou as raízes da família de Derrite e revelou uma ascendência ligada a diferentes regiões italianas.

Bendita Cidadania, analise de cidadania italiana

A investigação identificou antepassados no Abruzzo, no Vêneto, na Emilia-Romagna e na Lombardia, incluindo a região de Mântua.

A descoberta vem poucos dias depois de Derrite ser eleito senador por São Paulo com 13.273.880 votos, em 4 de outubro de 2026, estabelecendo o recorde nacional de votação em números absolutos para o cargo.

Vista aérea de Cugnoli, na região do Abruzzo
Vista aérea de Cugnoli, na região do Abruzzo

De Di Rito a Derrite: a história começa no Abruzzo

O ponto de partida da investigação é Cugnoli, município italiano que, no século 19, pertencia à província de Teramo e hoje integra a província de Pescara.

Foi ali que nasceu, em 14 de setembro de 1891, Emidio Di Rito, identificado por Taddone como bisavô paterno do senador eleito.

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A pesquisa conseguiu recuar outras duas gerações na história da família.

Emidio era filho de Pasquale Di Rito, nascido em Cugnoli em 28 de março de 1869, e de Annantonia Palanza. Os dois se casaram na mesma cidade em 28 de junho de 1890.

Os avós paternos de Emidio eram Carlo Emidio Di Rito, nascido em 1825, e Anna Maria Silvestri, nascida em 1828. O casal havia se casado em Cugnoli em 1853.

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A reconstrução genealógica permite, assim, acompanhar a presença da família Di Rito na pequena localidade do Abruzzo por diferentes gerações.

O sobrenome italiano que se tornou Derrite

Uma das descobertas mais curiosas da investigação está nas diferentes grafias assumidas pelo sobrenome familiar.

Emidio Di Rito também aparece identificado como Emilio de Ritti, De Ritte, Deritti, Derriti e Emidio Derrite.

Seu pai, Pasquale, também aparece associado a variações como Pascoal de Ritti, Deritti e Derrite.

Essas grafias foram reunidas em perfis do FamilySearch, plataforma colaborativa de pesquisa genealógica.

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A transformação de sobrenomes não era incomum entre famílias de imigrantes italianos no Brasil. Diferenças de pronúncia, adaptações ao português e registros feitos por funcionários de cartórios podiam resultar em alterações na escrita dos nomes.

No caso da família de Guilherme Derrite, a forma que permaneceu nas gerações seguintes foi Derrite.

Embora a pesquisa tenha identificado diferentes versões do sobrenome, os registros consultados não permitem determinar a sequência cronológica exata de todas as mudanças.

Emidio Di Rito, o bisavô italiano

Depois de deixar a Itália, Emidio Di Rito estabeleceu-se no interior de São Paulo, onde, segundo o levantamento genealógico, trabalhou como lavrador.

Em 1916, casou-se em Capivari com Maria Ruzza, nascida na cidade em 1896, filha de Napoleone Ruzza e Catarina Trevisan.

Emidio morreu em 3 de março de 1980, em Rafard, município vizinho a Capivari, aos 88 anos.

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A geração seguinte identificada por Taddone é a de Pedro Derrite, avô paterno do senador eleito.

Pedro nasceu em Capivari em 5 de maio de 1927 e morreu em Sorocaba em 2023. Em 1949, casou-se em Rafard com Georgina Lucchesi.

Na árvore genealógica, seu nome também aparece nas formas Pedro de Riti e Pedro de Rito, outras grafias associadas ao sobrenome original.

A linhagem paterna chega a Francisco Carlos Lucchessi Derrite, pai do senador.

Guilherme Derrite é filho de Francisco Carlos e Maria Teresa Muraro Derrite, nomes identificados também em documentação pública.

Família Muraro tem origem no Vêneto

A ascendência italiana de Guilherme Derrite não se limita ao lado paterno.

A pesquisa também identificou antepassados da família Muraro em Brendola, município da província de Vicenza, na região do Vêneto, no nordeste da Itália.

Um dos nomes recuperados pelo levantamento é Angelo Muraro, nascido em 3 de outubro de 1875, filho de Zenobrio Muraro e Luigia Noro.

Depois de se estabelecer no Brasil, Angelo casou-se em 1897, em Tietê, no interior paulista, com Adalgisa Goldoni.

Segundo os dados reunidos na árvore genealógica, o casal teve 18 filhos.

Entre eles estava José Muraro, nascido em Tietê em 1899, que se casou com Santina Manfrin.

Na geração seguinte nasceu Claudio Muraro, em Sorocaba, em 1928. Identificado por Taddone como avô materno do senador, Claudio se casou em 1954 com Nair Buganza e morreu em 1997.

A linhagem chega a Maria Teresa Muraro Derrite, mãe do político.

O sobrenome Muraro permanece no nome civil do senador eleito, Guilherme Muraro Derrite.

Raízes também na Emilia-Romagna e na Lombardia

O levantamento realizado por Daniel Taddone encontrou ainda outras origens italianas na genealogia de Derrite.

Além das famílias Di Rito, do Abruzzo, e Muraro, do Vêneto, a pesquisa aponta ascendentes provenientes da Emilia-Romagna e da Lombardia, especialmente da região de Mântua.

O genealogista também identificou outras ligações familiares com o sobrenome Lucchesi.

As informações ampliam o mapa da ascendência italiana do senador, embora os nomes e municípios de origem desses ramos ainda não tenham sido detalhados na documentação compartilhada com o Italianismo.

Segundo Taddone, a ascendência de Derrite é predominantemente italiana, mas não exclusivamente.

O pesquisador identificou também Augusta Knopp, apontada como uma trisavó de origem alemã.

A investigação reúne, portanto, diferentes histórias de imigração que se cruzaram no interior paulista ao longo das gerações.

Taddone explica que algumas linhas da ascendência de Derrite já estavam documentadas no FamilySearch, enquanto outras exigiram investigação adicional. Foi o caso do ramo paterno, cuja pesquisa revelou uma curiosa transformação na grafia do sobrenome, ocorrida no Brasil.

Senador mais votado da história do Brasil

Guilherme Muraro Derrite foi eleito senador por São Paulo em 4 de outubro de 2026, com 13.273.880 votos, equivalentes a 30,59% dos votos válidos.

O resultado superou o recorde anterior de Aloysio Nunes, eleito senador por São Paulo em 2010 com 11.189.168 votos.

Nascido em Sorocaba em 10 de outubro de 1984, Derrite iniciou a carreira na Polícia Militar e foi eleito deputado federal em 2018. Conquistou um segundo mandato em 2022.

Entre 2023 e 2025, comandou a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, durante o governo de Tarcísio de Freitas.

Seu mandato no Senado começará em fevereiro de 2027.

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