Medo do Brexit levou britânicos a pediram outro passaporte da UE

Em 2017, 14.911 britânicos pediram outra nacionalidade comunitária, aumentando em 127% o número de 2016

Os cidadãos britânicos protagonizaram o maior aumento na procura pela cidadania de outro país da União Europeia, em 2017, relativamente ao ano anterior, segundo dados da Eurostat, divulgados na quarta-feira passada (06).

Durante o ano de 2017, de acordo com as estatísticas da organização estatística da Comissão Europeia, preocupados com o resultado do Brexit, 14.911 britânicos pediram outra nacionalidade comunitária, aumentando em 127% o número do ano anterior, 2016, quando se realizou o referendo para a saída do Reino Unido da União Europeia. Os cidadanias mais buscadas pelos britânicos foram alemã, francesa e belga.

Portugal teve a quarta maior taxa de naturalização (a relação entre o número de pessoas que pede a nacionalidade de um país durante um ano e o número de residentes estrangeiros nesse país no início do ano), depois da Suécia, Romênia e Finlândia.

Em toda a União Europeia, 825 mil cidadãos pediram a cidadania de um Estado-Membro. Número abaixo dos 995 mil em 2016. A maioria (83%) das pessoas que pediu essa nacionalidade era originária de fora da União Europeia ou era apátrida, sendo Marrocos o país de origem mais comum (67.900 pessoas), seguido da Albânia e da Índia.

Os brasileiros ocuparam a oitava colocação, com 21.6o0 pedidos de dupla cidadania nos 28 países da União Europeia (46% solicitaram a cidadania italiana; 28,2% em Portugal; e 6% na Espanha).

Entre os países da União Europeia, os países com maiores pedidos de passaportes de outras nacionalidades comunitárias foram a Romênia (29.900, mais de metade adquirindo cidadania italiana) e a Polônia (22.000, com dois em cada três a pedir o passaporte britânico ou alemão).

Por outro lado, 11.200 italianos pediram a dupla cidadania em países como a Alemanha, no Reino Unido e na Bélgica.

O país com taxa de naturalização mais elevada foi a Suécia (8,2 passaportes concedidos por 100 estrangeiros residentes), seguido da Romênia (5,9), Finlândia (5,0) e Portugal (4,5).