7 cidades imperdíveis para conhecer na Itália

Vista panorâmica de San Gimignano

Jornalista elenca suas descobertas e paixões pela Itália. Um roteiro que merece visita 

Assim como para muita gente, viajar para a Itália era um sonho antigo para mim. Talvez porque poucos lugares mexem tanto com o nosso imaginário quanto a terra da bota – seja por causa da gastronomia universal e deliciosa, seja pelas paisagens envelhecidas da Toscana, do enorme patrimônio artístico em estátuas, pinturas e igrejas, ou, ainda, por outras marcas típicas deste país – atire a primeira sacola de compras quem nunca teve um sonho, mesmo que disfarçado, de se render à moda italiana, com seus sapatos, suas roupas e seus perfumes?

Depois de três viagens para a Itália, sempre para regiões diferentes, consegui cair de amores oficialmente pelo país e eleger minhas 7 cidades favoritas – e, com isso, não quero dizer que são melhores do que as outras só porque foram privilegiadas nesta lista.

Não, nem de longe: uma viagem para a Itália é o tipo de coisa de merece ser degustada devagar e sempre, repetidas vezes, porque não cansa.

Mas se você não vai ter a chance de viajar para lá de novo tão cedo e queria umas dicas para o seu roteiro italiano ficar todo prosa, tente colocar uma – ou mais – dessas cidades imperdíveis nos seus planos. Em cada uma delas, eu explico o porquê de merecerem a sua visita.

Roma

Sim, conheço a frase que diz que todos os caminhos levam para lá. Mas, se isso for verdade, reserve pelo menos uns dois dias para conhecer Roma. A capital italiana é controversa desde os tempos de César, e isso não mudou hoje – ela ainda é capaz de dividir opiniões: há quem veja apenas as belíssimas igrejas e o riquíssimo patrimônio cultural, e há quem só repare nas ruas cheias de gente, confusas, barulhentas, cheias de trânsito e caóticas.

Mas nem por isso Roma perde o seu charme ou deixou de ser a cidade mais importante da Itália, ainda presente e irresistível em diversos cantinhos charmosos da capital: os pintores da Praça Navona ao anoitecer, as ruelas charmosas do bairro do Trastevere e, claro, a imponência dos principais pontos turísticos que precisam ser visitados.

Coloque na agenda e veja o que fazer em Roma: visite o Coliseu, uma das atuais Maravilhas do Mundo e que ainda encanta com sua imponência e tamanho – mesmo com a história triste que ele ainda carrega. A dica é visitá-lo pela manhã, porque dali você já emenda o passeio às ruínas do Fórum Romano, gigantescas, e que ainda guardam as proporções que nos permitem imaginar como era a vida na época dos gladiadores e senadores romanos.

Terrazza del Pincio é o lugar ideal para avistar o horizonte de Roma. Foto: Tourism Media

Na parte da tarde, aproveite para refrescar-se (Roma costuma ser muito quente no verão) tomando um gelato e caminhando pela Via del Corso, uma das principais avenidas da cidade, e excelente para fazer compras ou namorar as vitrines. Se der, estique pela noite nos arredores da Praça Navona, onde turistas e locais se reúnem, e que é cheia de barzinhos interessantes.

No dia seguinte, acorde cedo porque o compromisso é sagrado (literalmente): de manhã é o melhor horário para conhecer o Vaticano, os seus museus e, claro, a famosa Capela Sistina. De acessórios, leve um tênis confortável (a visita é longa) e um pouco de paciência, porque o local geralmente é lotado de turistas. Mas vale a pena, pois o museu é riquíssimo em peças e pinturas.

Dica importante: uma boa dica de hospedagem são os hotéis no bairro do Trastevere. Ah, e quando for planejar sua viagem à Roma, compre os passes “fura-fila”: eles fazem uma diferença enorme no seu dia, já que as filas para o Vaticano e o Coliseu podem demorar até uma hora.

Perugia

A poucas horas de Roma está outra cidade menos conhecida e famosa, mas igualmente simpática. Perugia é a capital da Umbria e, assim como muitas cidades dessa região, tem o seu centro histórico medieval localizado no alto de um monte, como uma medida de proteção contra as constantes batalhas há séculos atrás.

Por ser menor e com menos fluxo de turistas, em Perugia é possível sossegar o ritmo e sentir um pouco do dolce far nienteitaliano. Mas não é por isso que ela não tem lá os seus segredos: no “centro do centro” histórico de Perugia está um dos mais completos museus de arte sacra do mundo – pois se Michelangelo era de Florença e Roma, em Perugia havia o Perugino, outro mestre da arte italiana cujas obras, suas e de seus discípulos, estão expostas por lá.

Vielas na região da Perugia – Foto: Stefano_Valeri/Shutterstock.com

Mas a dica, mesmo, é ir em ritmo tranquilo e, especialmente, estômago preparado: Perugia possui várias cantinas italianas tão rústicas quanto irresistíveis, muitas delas localizadas em balcões com a vista para o vale da Umbria – uma bela harmonização de boa comida e vistas encantadoras. Também o que não faltam na cidade são hotéis charmosos para você se hospedar.

Se for preciso mais um motivo para ir, Perugia é também a capital do chocolate italiano – fica por lá a fábrica Perugina, que produz o bombom Bacio (“beijo”, em italiano). Não disse que os italianos sabem mesmo como ser apaixonantes?

Assis

Fica próximo a Perugia e é muito procurada por pessoas que fazem bate-volta a partir de Roma só para conhecer a cidade natal do famoso santo que inspirou até o Papa. Sim, dá para viajar para Assis em um bate-volta. Mas, para quem ficar mais do que isso, a dica é: hospede-se nos hotéis no centro de Assis, próximo à Basílica.

Uma vez em Assis, você vai descobrir uma cidade especial, com uma aura de paz pouco encontrada por aí. Boa parte disso é por causa mesmo de São Francisco de Assis, santo que nasceu, viveu e faleceu na região (seu corpo ainda está enterrado na Basílica que leva o seu nome), e que ficou famoso por pregar a paz, a caridade e o amor – mensagens universais e que ainda hoje soam pelas ruas da cidade.

Basílica de São Francisco de Assis – Foto: DiegoMariottini/Shutterstock.com

Por isso, quando você for, dedique-se a visitar um pouco dos lugares em que ele esteve, como a Igreja de Santa Maria Degli Angeli (na cidade vizinha de mesmo nome, onde ainda tem uma pequena capela erguida por ele, e também o lugar onde ele faleceu), o Eremo della Carceri (um de seus lugares preferidos para meditar) e, claro, a Basílica de São Francisco.

Acredite: mesmo quem não for um católico vai se encantar com a visita, já que todos esses locais possuem uma beleza delicada – e na Basílica ainda é possível ver os afrescos originais de Giotto.

E, depois que você for, mesmo que tenha visto tudo, me conte: não vai dar uma vontade de visitar de novo?

Norcia

Ainda na Umbria, deixe para escapar por pelo menos um dia ou dois para Norcia, uma cidadezinha pequenininha e encantadora. Aviso: a cidade é tão pequena que não tem estação de trem; é preciso pegar um ônibus ou ir de carro alugado. Mas Norcia compensa cada segundo do desvio.

O primeiro motivo é quase sagrado: é ali que nasceu São Bento e sua irmã Escolástica – para quem não lembra, ele foi o fundador da Ordem dos Beneditinos.

O segundo motivo é mais terreno, e delicioso: Norcia é a capital das trufas negras, e é possível reservar um passeio para ir “caçá-las” acompanhado de cães farejadores – a busca pelas trufas acontece nas colinas em torno da cidade, com uma vista encantadora do vale de Norcia.

Campo de flores em Castelluccio – Foto: Simon Kovacic/Shutterstock.com

A experiência é até salgada em termos de valores, mas é linda e inesquecível: depois das trufas “descobertas”, é possível lavá-las, moê-las e servi-las, fresquíssimas, com pão quente, sal e azeite num piquenique improvisado (acompanhado de vinho, claro).  Sabe aquela frase que diz que certas coisas não têm preço? Essa é uma!

E nem para por aí: além das trufas negras (prepare-se, aqui é o melhor lugar para comprá-las a bons preços), Norcia é também a capital dos presuntos crus, especialmente de porcos selvagens. Faça a festa: gula pode até ser pecado, mas aqui você está perdoado. Se der tempo, hospede-se em um bom hotel e curta cada minutinho nessa cidade.

Florença

Assim como Roma, Florença é uma cidade imperdível, a começar pelo cardápio cultural. Como ela foi o centro do Renascimento Italiano, reserve um bom tempo para ver de perto as grandes obras de arte ali presentes. A mais famosa, claro, é a estátua de Davi esculpida por Michelangelo – a original está na Galleria Dell’Accademia, que invariavelmente tem uma fila enorme para vê-la. Mas você já pode sentir o gostinho ao ver a réplica, em uma praça ao ar livre em frente ao Pallazzo Vecchio.

Florença era uma das cidades mais poderosas do passado, e até hoje borbulha cultura por conta desse legado. Para quem adora respirar arte, esse é o lugar – e você pode começar o passeio pela Galleria Uffizzi, com obras de Botticelli, Giotto, Leonardo da Vinci e Rafael. Igrejas também são uma visita obrigatória: comece pela catedral de Florença e siga para a Santa Maria Novella, ambas de uma beleza interior indescritível.

Florença ao entardecer – Foto: Gurgen Bakhshetyan/Shutterstock.com

Mas se a veia cultural cansar, não se preocupe: Florença é extremamente amigável para passear a pé, já que quase todas as atrações são próximas entre si, e não há nada que uma boa caminhada não resolva. Outra coisa boa: Florença é cheia de lojinhas charmosas de roupas, acessórios, sapatos, casacos. Uma boa dica é comprar aqui jaquetas de couro com aquele corte italiano super estiloso – e sempre dá para negociar o preço.

E para não dizer que não falamos de comida, uma dica especial: toda vez que você vir num restaurante algo como queijo trufado ou bisteca fiorentina, pode pedir de olhos fechados – é certeza de ser muito bom!

Outra coisa boa é que Florença é um ótimo ponto de partida para conhecer a Toscana, com suas paisagens amarelas e apaixonantes: você pode alugar um carro na saída da cidade e ir a Siena, montar base por lá e conhecer cidades como Rapolano, Cortona (onde foi filmado “Sob o sol da Toscana”), Arezzo, entre outras!

Variedade nos pacotes para Florença é o que não falta.

San Gimignano

Fica na região da Toscana, e muita gente faz bate-volta de Florença para conhecer essa cidade italiana pequena e medieval – o que é uma pena: se você pernoitar em San Gimignano vai descobrir uma cidade que amanhece e anoitece muito mais charmosa, bem diferente da muvuca de turistas do meio do dia.

A cidadezinha tem ainda a aura medieval, com todos o charme e medo que isso significa – lá está, por exemplo, o Museu da Inquisição, com exposições pesadíssimas. Mas é também encantadora, cheia de vielas, de pequenas vinícolas, de restaurantes deliciosos e escondidos – lá está, por exemplo, “o melhor sorvete do mundo”, que ganhou esse nome porque seu fabricante já participou (e ganhou) competições mundiais de produção artesanal de sorvete. Se é o melhor do mundo, eu não sei – eu achei vários sorvetes italianos deliciosos –, mas se o quesito for também o charme da locação, é certo que este ganhou vários pontos à frente dos outros.

San Gimignano com suas torres medievais – Foto: StevanZZ/Shutterstock.com

Uma dica: se você curte umas pedaladas, arrisque ficar em San Gimignano por dois dias e descer a cidade de bicicleta (ou vespa, para ficar mais charmoso) em direção às fazendas ao redor – muitas delas praticam o agriturismo, em que você pode participar da rotina de produção e ver de perto como são feitos os queijos e vinhos. Fora a lindeza, ainda, de pedalar por campos de girassóis!

Dica: o mês de setembro é quando acontece a vindima, a colheita das uvas para o vinho!

Riomaggiore

Na verdade, eu falei de Riomaggiore só para fazer você vir até aqui – porque ela é uma pequena comuna que, junto com Manarola, Vernazza, Corniglia e Monterosso formam a região de Cinque Terre, ou “Cinco terras”. O acesso é demorado e de trem – são três horas de viagem partindo de Milão –, mas esse cantinho merece todo o seu tempo e atenção. As Cinque Terre são pequenas comunas incrustradas em uma serra toda recortada, com paredões de pedra que despencam no mar da Liguria.

E que mar; de águas escandalosamente verde-turquesa, é o primeiro motivo para você viajar até Riomaggiore e região, especialmente no verão. Não espere uma praia nos moldes brasileiros; há uma tímida faixa de terra em Vernazza e Monterosso, mas mesmo assim o mar refrescante em cor e temperatura é um convite delicioso que já vai valer a viagem.

As trilhas da região também valem a visita. Quem gosta de caminhar, fazer exercício e, de quebra, curtir uma vista bonita, pode se aventurar pelas trilhas que ligam as comunas entre si – todas elas têm o mar como principal companheiro de estrada. Aliás, um desses caminhos é a famosa Via Dell’Amore, ou Via do Amor: reza a lenda que foi a construção desse caminho que viabilizou o deslocamento entre as comunas de Manarola e Riomaggiore, e por conta disso era ao longo da via que os jovens de ambas as comunas marcavam de se encontrar para namorarem. Não repare se você encontrar vários cadeados e corações por ali!

Riomaggiore vista do mar – Foto: Andrew Mayovskyy/Shutterstock.com

Também preciso falar, claro, na comida: com o mar tão perto, as Cinque Terre são particularmente famosas pela gastronomia com base nos frutos do mar. Dica especial: hospede-se na cidade de Riomaggiore, que fica em uma das pontas da Cinque Terre (o que facilita na hora de pegar apenas um sentido do trem), e procure o restaurante Dau Cila – uma das sócias é brasileira, e a casa é especializada em deliciosos frutos do mar e no macarrão ao pesto, escandalosamente delicioso!

E, se eu ainda posso dar alguma dica, tente ficar pelo menos três dias na região para desfrutar com calma o que cada cidadezinha tem para oferecer. Riomaggiore tem um pôr do sol lindíssimo, a porta de entrada para a Via Dell’Amore e o restaurante Dau Cila. Manarola tem a praia; não dispense o mergulho por entre as pedras, e renda-se também aos sorvetes e às lojinhas simpáticas. Corniglia fica no alto, então, corra para o mirante e descanse a vista (e o coração) por alguns minutos vendo uma paisagem linda de viver (para depois voltar parando nas lojinhas simpáticas pelo caminho!). Vernazza tem a praia e restaurantes, e Monterosso tem a agitação, já que parte da galera jovem para por ali.

Por Clarissa Donda / Viajando Expedia

Jornalista, marqueteira digital e curiosa por fotografia e por histórias inusitadas pelo mundo, que conta no seu blog, o Dondeando por aí.