Mais de 70% dos ginecologistas se opõem ao aborto na Itália

Itália: no país, o aborto é um direito há 40 anos, mas sua aplicação ainda é complicada em muitas regiões (Patrizia Cortellessa/Pacific Press/Getty Images)

Desde 1978, a chamada Lei 194 permite às mulheres abortar gratuitamente sem restrições nos primeiros 90 dias de gravidez

Apesar de ser um país que trata o aborto como “um direito das mulheres” há 40 anos, mais de setenta por cento dos ginecologistas italianos se declaram contra essa prática.

Desde 1978, a chamada Lei 194 permite às mulheres abortar gratuitamente sem restrições, desde que essa decisão seja tomada nos primeiros 90 dias de gravidez. Mesmo assim, muitas regiões dificultam esse processo por se mostrarem favoráveis ao movimento pró-vida.

Os partidos conservadores Movimento Cinco Estrelas (M5S) e o Liga, que é considerado um partido de extrema-direita, têm influenciado e apoiado a população nesse sentido. Críticos, porém, os acusam de “retroceder os direitos das mulheres”.

Movimento pró-aborto

Em julho deste ano, um grupo de ginecologistas feministas pediram à ministra de Saúde, Giulia Grillo, que “aplique a Lei 194”, que regula o aborto na Itália. O grupo conseguiu mais de 100 mil assinaturas de apoio.

O movimento das feministas aconteceu logo após um médico de Nápoles se negar a atender uma mulher em risco de morte por um aborto espontâneo, o que terminou causando a demissão do ginecologista.

De acordo com a lei vigente no país, o aborto é permitido em caso de perigo para a mãe ou má-formação do feto. No entanto, a legislação também ampara o direito à objeção de consciência dos médicos. Os profissionais não são obrigados a praticar abortos se não quiserem.

Cresce movimento pró-vida

Em 2005, os ginecologistas objetores representavam 58,7% em toda a Itália, segundo dados do Ministério da Saúde, em 2016 já eram 70,9%, embora em regiões como Basilicata, no sul, a porcentagem alcance 88,1%.

No mês passado, por exemplo, a cidade de Verona se declarou pró-vida e prometeu fundos públicos a projetos contra o aborto financiados pela Igreja Católica e por entidades privadas.

Ativistas feministas também têm contra elas as recentes declarações vindas do Vaticano. O papa Francisco chegou a declarar que “o aborto é como contratar um matador de aluguel”.

Por Cris Beloni/GospelPrime