Quatro meses após ser eleito, Fausto Longo pode trair seu eleitorado

Del Rodrigues / Gazeta de Piracicaba

Longo recebeu 8,9 mil votos e se elegeu ao cargo para o Parlamento Italiano

Políticos sempre pulando a cerca. Fausto Longo, 65, que em março deste ano foi eleito para o Parlamento Italiano, agora promete abandonar o barco se conseguir uma cadeira na Câmara dos Deputados brasileira, nas eleições de 2018, pelo MDB.

Eleito com 8,9 mil votos, Longo tem vaga assegurada como deputado na Itália até 2023, mas garante que abandonará o parlamento italiano no caso de ser eleito, apesar de não haver implicações no caso de vencer o pleito no Brasil.

Em entrevista ao Jornal de Piracicaba, ele disse que o convite para disputar a eleição partiu da Executiva do partido — com apoio da Fiesp onde ocupou diversos cargos — que entendeu que sua experiência como político na Itália, poderia ajudar a trazer intenções parlamentaristas ao país.

“Estou numa zona de conforto político na Itália. Se permanecer no cargo até 2023 me aposento e poderia viver tranquilo, mas isso não faz parte de mim. É no Brasil que eu, meus filhos e netos vivem e é aqui que precisamos lutar por melhores condições de saúde, moradia, emprego e dignidade”, disse.

Mas a atitude prematura do parlamentar gerou descontentamento na comunidade italiana. No grupo que reúne o maior numero de descendentes em busca da cidadania italiana, o Área Livre, muitos comentários reprovam a decisão do político.

“Sinceramente, que tristeza o descaso com o cargo para o qual foi eleito”, escreveu Wallace Bottacin.

Já Maurilio Ferrari considerou isso uma falta de decoro. “Deveria no mínimo ser cassado. Que conversa é essa de que vai renunciar na Itália se eleito no Brasil? Só de sair candidato aqui já deveria renunciar de imediato”. 

Renata Torresani foi curta e direta: “Que falta de respeito”.

Ítalo-descendente, Longo ocupou uma cadeira no Senado Italiano de 2013 a 2018, após receber cerca de 30 mil votos de eleitores da América do Sul. Atualmente, o brasileiro é um dos 12 representantes que vivem fora da Itália e que integram o parlamento italiano.