Saiba como pedir um café na Itália e outras curiosidades

Foto: sprudge.com

Espresso, macchiato, cappuccino, marocchino: conheça os diferentes jeitos e manias dos italianos na hora de tomar um café

Maior cadeia de cafeterias do mundo, o Starbucks possui mais de 20 mil lojas espalhadas pelo globo, mas, por enquanto, nenhuma delas fica na Itália. Há previsões de que essa situação mude até setembro de 2018, quando as primeiras unidades devem ser inauguradas em Milão e em Roma. Ainda assim, a expectativa é que os novos estabelecimentos sejam mais frequentados por turistas do que italianos propriamente ditos.

Esse pequeno causo diz muito sobre a relação da Itália com a bebida. Os copos descartáveis e “instagramáveis” do Starbucks nada tem a ver com a cultura da terra da Bota. Primeiro, porque você dificilmente verá alguém andando pelas ruas com um café na mão. Segundo, porque as porções da rede americana são muito maiores (e mais aguadas) do que é considerado normal no país. Para os italianos, o café é um momento de prazer e pausa durante o dia, e a bebida pode ocupar menos da metade de uma xícara.

Ou pelo menos é isso que acontece caso você peça por um espresso. Se a ideia for tomar um dos nossos cafés expressos, desses que enchem a xicrinha aqui no Brasil, opte por um espresso doppio ou irá se decepcionar com a quantidade. Também vale saber que o macchiato, palavra que significa “manchado” em italiano, é o espresso com um pouquinho da espuma do leite.

Outra pegadinha para os brasileiros é o cappuccino, que na versão italiana leva apenas café, leite e espuma, sem adição de chocolate ou canela. Ele vem numa xícara grande e é mais comum no café da manhã. Pedi-lo após o almoço, por exemplo, pode causar certo estranhamento. Caso deseje algo que se assemelhe mais ao nosso cappuccino, vá de marocchino, que leva uma camada de chocolate em pó.

(MyItalianGuide/Reprodução)

Agora, se a saudade for pelo nosso pingado, peça um caffè latte, que vem sem espuma e muitas vezes é servido em copo de vidro, como é feito nos bares brasileiros. Se você prefere a bebida com mais leite do que café, as palavras a serem decoradas são latte macchiato, ou seja, “leite manchado”. Sabendo de tudo isso, basta acrescentar um per favore ao seu pedido e você poderá se sentir quase como um italiano.

Quase porque as particularidades italianas nesse assunto não param por aí – e algumas podem estar além dos limites da nossa compreensão. A cultura do café é tão forte que, no sul do país, há o costume de deixar pago o valor referente a uma segunda xícara para aqueles que eventualmente forem ao bar e não tiverem dinheiro para pagar sua dose diária. É o tal do caffè pagato ou caffè sospeso, que também tem seus adeptos em alguns parcos endereços no Brasil.

Já na hora de tomar um café em casa, a prioridade é o frescor da bebida. Aqui no Brasil, o mais comum é passar o café no coador de pano ou de papel e depois guardá-lo em uma garrafa térmica, para ser tomado ao longo do dia. E há ainda quem já prepare a bebida com açúcar, informação que chocou um dos meus professores de italiano uns tempos atrás.

Acontece que na Itália predomina o uso da moka, cafeteira de alumínio e a vapor, cuja marca mais famosa, inclusive por aqui, é a Bialetti. Algumas são tão pequenas que só preparam uma xícara por vez e há muitos italianos que a levam consigo na mala quando vão viajar!

Depois de ver o pessoal tomando um espresso na areia, sob o sol escaldante da Sardenha, isso nem me surpreendeu tanto. Afinal, esse também é o país do tiramissù e do affogato, sorvete de creme mergulhado em uma dose de café.

Por Barbara Ligero / viagemeturismo.abril.com.br
Siga-me a Barnara no Instagram: @barbara.ligero