O dia em que jantei na casa de uma romana

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Como funciona o EatWith, site que coloca turistas à mesa de moradores em várias cidades. Nossa experiência foi em Roma

Por Cristiane Sinatura

 

O dia para Barbara, uma autêntica romana, começa com uma visita ao mercado ou à feira – coisa que também adora fazer quando está de férias em outros países, justamente para conhecer a cultura local. Depois de encher as sacolas com produtos fresquinhos, ela coloca jazz para tocar em sua cozinha e começa a preparar o “banquete” que será servido à noite, em sua casa, para pessoas que nunca viu na vida.

E assim são, praticamente, todos os seus dias – isso quando ela não dá aulas de culinária, realiza tours por mercados da vizinhança ou coordena uma degustação de vinhos. Barbara faz parte do EatWith, uma espécie de rede social em que moradores de várias cidades do mundo abrem seus lares para receber “estranhos” em um jantar, um coquetel, um brunch. Gente interessada em comer com os locais, como os locais. A seguir, entenda como funciona e confira nossa experiência em Roma.

 

I Como funciona o EatWith?

O EatWith é como um Airbnb das refeições, que une pessoas interessadas em uma mesma gama de assuntos: comida, cultura, socialização. Pessoas a fim de abrirem as portas da sua própria casa, sejam chefs ou amadores, cadastram-se no site e propõem um menu de brunch, coquetel, almoço, chá da tarde, jantar – qualquer atividade relacionada a comida. Depois de aprovado, o perfil do host é disponibilizado ao público.

Quem quiser participar de um desses eventos como convidado (guest) também se cadastra e pode pesquisar de acordo com seus interesses: cidade, perfil (solteiros, famílias, casais), tipo de comida (típica, vegetariana,
kosher), faixa etária e até idioma falado pelo anfitrião. É possível ler resenhas de outros comensais que já tenham participado, o que ajuda no critério de escolha.

Encontrado um evento de interesse, o guest envia uma mensagem particular para o anfitrião pelo próprio site e ambos acertam os detalhes diretamente, em uma espécie de chat. Alguns hosts trabalham com calendários fechados; outros permitem que o convidado proponha a data. O valor é pago dentro do site mesmo (via Paypal ou cartão de crédito). A “brincadeira” começou com poucas cidades, mas hoje já são mais de 150, cada uma com alguns ou vários anfitriões.

 

I O que tem para o jantar?

Quando estive em Roma, resolvi testar o EatWith. Pesquisando pelo site, encontrei mais ou menos cinco eventos na data em que estaria lá. Meu critério de escolha foi a quantidade de pessoas que já haviam participado de eventos com aquele anfitrião. Assim cheguei à Barbara (bit.ly/barbararoma).

Então, no dia combinado, lá estava eu, debaixo de chuva, tocando a campainha de um predinho dos anos 1960 em Trastevere, com uma cachaça mineira embrulhada para presente em mãos. Ainda bem que resolvi levar uma lembrancinha por educação: eu não sabia, mas era aniversário da minha anfitriã. Na prática, isso quer dizer que o apartamento dela estava apinhado: amigos italianos misturados a turistas gringos, que ali chegaram via EatWith, como eu – americanos, cingapurenses e australianos.

Ao preço de US$ 63, o menu incluía tomates recheados com arroz e especiarias como entrada, lasanha de berinjela como primeiro prato, frango cozido com laranja como segundo prato e tiramisù de sobremesa. Tudo gostoso, bem temperado, tipo comida de nonna. Depois ainda vieram os licores e o café. Além, é claro, dos vinhos tintos e brancos que não deixavam as taças vazias nem por um segundo, fazendo fluir a interação entre pessoas que nunca se viram na vida. Saí de lá já era uma da manhã – mas Barbara e os amigos estavam só começando a dançar. Tudo isso numa noite de terça-feira! Ah, a Itália

Barbara me contou que o seu amor pela comida e pelas pessoas vem da sua família, tradicionalmente de açougueiros. Seus tios, proprietários de um famoso restaurante romano nos anos 1960, o Taverna dell’Orso, organizavam verdadeiros banquetes nas festas de fim de ano. “Meu objetivo inicial é colocar um grande sorriso no rosto dos meus amigos”, afirma. “A melhor coisa que você pode fazer é amar as pessoas por meio da comida. Se as pessoas amam minha comida e meu sorriso, elas também sorriem. É um ciclo de amor.”

Mais informações: www.eatwith.com